Padrinho ideológico de Jair Bolsonaro, o presidente dos Estados Unidos usa e abusa das fake news no exercício do seu mandato. No Brasil CPMI das Fake News e ações do Judiciário e Ministério Público contra o “gabinete do ódio” enfraquecem a capacidade do bolsonarismo de continuar divulgando mentiras.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , fez 20 mil alegações falsas, mentirosas ou incorretas enquanto ocupa o cargo de Chefe do Poder Executivo. É o que mostra relatório elaborado pelo jornal The Washington Post , que identificou um “tsunami de inverdades” com origem na Sala Oval da Casa Branca.

Na sua coluna de Fact Checker (Verificação de Factos), o jornal concluiu que Donald Trump atingiu este marco em 9 de julho, dia em que efetuou 62 dessas declarações que podem ser consideradas enganosas.

Cerca de metade delas surgiu numa entrevista com o apresentador da Fox News, Sean Hannity, entre as quais se contam a alegação de ter “um tremendo apoio” na comunidade afro-americana e a acusação de que Barack Obama e Joe Biden espiaram a sua campanha em 2016.

O Washington Post criou o seu banco de dados durante os primeiros 100 dias de Trump no cargo. Desde então, a equipa revê todas as declarações que o presidente faz em conferências de imprensa e comícios, em aparições na TV e nas redes sociais.
Naqueles primeiros 100 dias, os jornalistas contaram 492 alegações falsas ou enganosas, a uma taxa de cerca de cinco por dia. Desde então, os investigadores observam : “O tsunami de inverdades continua cada vez maior.”
“A noção de que Trump excederia as 20 mil alegações antes de terminar o mandato parecia ridícula quando o Fact Checker iniciou o projeto”, escreveu o editor Glenn Kessler.
Nos últimos 14 meses, à medida que se desenrolaram os eventos em torno do relatório Mueller , o impeachment, a pandemia de coronavírus e o assassinato de George Floyd pela polícia, Trump teve a média de 23 alegações falsas ou incorretas por dia.

A coluna do Post observa que Trump expressou quase 1.200 mentiras e fake news sobre a pandemia, muitas das quais giram em torno da capacidade de teste dos EUA. Trump costuma dizer que os EUA têm o melhor registo em testes. Neste quesito, o colega brasileiro, Jair Bolsonaro foi mais longe. Primeiro disse que o covid19 era uma gripezinha, e agora se tornou garoto-propaganda da hidrocloroquina.

A reportagem do jornal descobriu que a mentira mais prolífica de Trump é a sua afirmação de que a economia dos EUA está melhor agora do que nunca. Isto não lembra as projeções do ministro Paulo Guedes, aqui no Brasil?

Cientistas políticos geralmente concordam que uma economia forte é o fator mais importante para um presidente em busca da reeleição. Trump afirmou pela primeira vez que a economia é a melhor de sempre em junho de 2018 e, segundo o Post, “rapidamente tornou-se uma das suas favoritas”.

Mas Trump “foi forçado a adaptar a mensagem aos tempos econômicos difíceis, e isso tornou esta alegação ainda mais fantástica. Enquanto costumava dizer que é a melhor economia da história dos EUA, agora recorda frequentemente que alcançou ‘a melhor economia da história do mundo”.

Gabinete do ódio

Enquanto Trump mente para esconder os seus fracassos e tentar reverter a provavel perda da reeleição, no Brasil o Facebook removeu na última quarta-feira (8) um total de 88 contas e páginas do chamado “gabinete do ódio”.

Segundo Nathaniel Gleicher, diretor de Cibersegurança do Facebook, as  investigação encontraram ligações a pessoas associadas ao Partido Social Liberal (PSL) e a alguns dos funcionários nos gabinetes de Anderson Moraes, Alana Passos, do deputado federal Eduardo Bolsonaro, do senador Flávio Bolsonaro e do presidente Jair Bolsonaro, disse  em documento divulgado pela rede.

As contas fariam parte do chamado gabinete do ódio, que utiliza robôs para distribuir notícias falsas. As fake news identificadas pelo Facebook servem tanto para espalhar conteúdo favorável ao governo Bolsonaro como para atacar opositores.

De acordo com o Facebook, as contas operavam desde as eleições de 2018. A ação da plataforma identificou e removeu 35 contas, 14 páginas e um grupo (de 350 pessoas), além de 38 contas no Instagram. Só no Facebook, havia 883 mil seguidores. Outras 917 mil seguiam as contas no Instagram. Foram gastos US$ 1.500 em anúncios por essas páginas, pagos em reais.