No seu blog “Tijolaço”, Fernando Brito comenta pesquisa feita pelo Post e pela rede de televisão ABC sobre o temor do presidente Donald Trump indicar um ministro “terrivelmente conservador” antes das eleições que ocorrem no dia 4 de nomembro. Aqui no Brasil, a aposentadoria antecipada para o dia 13 de outubro, pelo ministro Celso Melo, do STF, pode dar ao presidente Jair Bolsonaro, esta mesma chance do colega norte-americano.

Pesquisa encomendada pelo jornal The Washington Post e pela rede de televisão ABC mostra que a maioria dos norte-americanos (58%) se opõe a que Donald Trump indique de imediato – ele prometeu fazê-lo amanhã ou depois – o substituto da juíza Ruth Bader Ginsburg do país, morta na semana passada, na Suprema Corte. Apenas 38% que acham que o presidente deve submeter seu indicado ao Senado de maioria republicana imediatamente.

Trump, diz a imprensa dos EUA, deve indicar a conservadora Amy Coney Barrett, com quem se encontrou duas vezes nesta semana.

A maioria dos eleitores democratas (90%) quer que se espere, enquanto a maioria dos republicanos 80%) apoia o “é pra já” que alteraria o tradicional equilíbrio entre liberais e conservadores no órgão mais alto da Justiça.

Mas entre os eleitores que se declaram independentes – assim se identificam 37% dos entrevistados, enquanto 31% declaram-se democratas e 27% republicanos – é de quase 2 para 1 a proporção dos que consideram ilegítimo que Trump faça a escolha e o Senado confirme um nome antes das eleições: 61 a 34%.

Ainda que isso vá interferir pouco na ousadia de Trump, pode ter um efeito negativo para o voto de 3 de novembro, onde vão ser escolhidos os delegados para a eleição presidencial.

Brasil

Aqui no nosso país, O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello, de 74 anos, anunciou nesta sexta (25) que vai antecipar a sua aposentadoria para o dia 13 de outubro. Sua saída estava marcada para 1ª de novembro, quando o magitrado completa 75 anos, marco da aposentadoria compulsória no serviço público no Brasil.

O presidente Jair Bolsonaro disse que pretende colocar no lugar de Mello alguém “terrivelmente evangélico”. Entre os nomes estão João Noronha, residente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que impediu a prisão de Fabrício Queiroz; o ministro da Justiça, André Mendonça, autor do dossiê contra “anti-fascistas” e José Oliveira, secretário-geral da presidência e ex-assessor parlamentar de Bolsonaro, ao tempo que este foi deputado federal.