Pesquisa revela que 58%  acreditam que o ministro da Economia, Paulo Guedes e o presidente da República não querem ajudar nem as empresas e nem os trabalhadores. E 78% avaliam que o governo federal está errado suspender ou reduzir o pagamento do auxílio de R$ 600. 69% culpam o governo pela crise econômica e de saúde.

Pesquisa do Instituto Vox Populi revela que a população não tem esperanças em sair da crise econômica e de saúde com o atual governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Conforme já foi publicado pelo Onze de Maio, 82% dos entrevistados são contra o ministério da Saúde ser conduzido por um general e 63% culpam o presidente pelo agravamento da pandemia do coronavírus que já matou mais de 74 mil brasileiros. O levantamento agora mira na crise econômica, e os números demonstram que a população perdeu a ilusão com as promessas de Bolsonaro:

 69% dos brasileiros  culpam Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes,  pelo desemprego, recessão e falta de oportunidades para jovens e adultos.

81% têm uma expectativa negativa sobre a economia e acreditam que ainda vai demorar muito tempo para a economia e o emprego se recuperarem, apesar das bobagens ditas pelo presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes.

A pesquisa Vox Populi, divulgada na terça-feira, 14 de julho, foi encomendada pelo Partido dos Trabalhadores.

População defende apoio do governo federal a empresa e trabalhadores

De acordo com o levantamento, 58% das pessoas que vivem no país avaliam que o governo tem obrigação de socorrer as pequenas empresas, mas não quer ou não tem qualquer interesse, ao contrário do que ocorre em muitos países. E os mesmos 58% apontam que o auxílio de R$ 600 reais pago pelo governo é muito importante, embora 37% considerem-no insuficiente.

Para maioria dos brasileiros (52%) o governo Bolsonaro é totalmente culpado (15%) ou tem a maior responsabilidade (37%), nesses três meses de pandemia, pela quebra de pequenas, médias e grandes empresas e pelo desemprego. 25% declararam que o governo federal tem a menor parte da responsabilidade e 21%, que não tem nenhuma responsabilidade.

Nada menos que 78% avaliam que o ministro Paulo Guedes e o líder da extrema-direita que ocupa o Palácio do Planalto estão errados ao quererem parar ou reduzir o pagamento do auxílio de R$ 600 reais. A maioria não vê com bons olhos o descaso de Bolsonaro em relação à situação social da maioria da população. Daí que 66% acreditam que os parlamentares do  PT , com apoio da oposição (PC do B, PDT, PV, PSOL, PSB), acertaram ao apresentar no Congresso Nacional um projeto de lei para estender o pagamento de R$ 600 até o fim do ano, pelo menos, diante do aumento da desigualdade social.

Insatisfação com o governo aumenta

A Vox Populi captou ainda o aumento da insatisfação da população brasileira. Subiu de 38% em abril para 44%, em julho, o número de brasileiros que consideram negativo o desempenho de Bolsonaro, enquanto caiu de 35% para 31% o número daqueles que consideram positiva a sua atuação, no mesmo período.

A pesquisa mostra que oscilou de 24% para 23% o número de pessoas que avaliam como regular a performance do presidente. Em todas as regiões, houve piora na avaliação de Bolsonaro. A situação mais grave foi captada no Sudeste, onde a avaliação negativa de Bolsonaro saltou de 41% em abril para 51% em julho. No Nordeste, a rejeição aumentou de 41% para 44%.

A rejeição também está maior entre as mulheres: a avaliação negativa saltou de 44% para 51%. Também houve piora entre jovens – de 44% para 53% – e entre os eleitores com mais de 65 anos – de 32% para 46%. A rejeição também cresceu entre os eleitores com ensino fundamental – de 30% para 40% – e do ensino médio – de 40% para 46%. Bolsonaro ainda é rejeitado entre os mais pobres (43%) e de classe média – 38% para 48%. Entre evangélicos a avaliação positiva do desempenho do presidente caiu de 54% para 44%.

O levantamento de opinião pública foi realizado pela Vox Populi entre 25 de junho e 3 de julho, ouvindo 1.500 pessoas por telefone, residentes em todos os estados e no Distrito Federal, exceto Acre, Amapá e Roraima, em capitais, regiões metropolitanas e no interior, de todos os estratos socioeconômicos. A margem de erro é de 2,5%, estimada em um intervalo de confiança de 95%.