Liberação de armas em massa, bolsonarização das polícias através da sua autonomia em relação aos Estados, excludente de ilicitude p/ militares em operações de GLO, uso da Lei de Segurança Nacional contra opositores. O presidente da República está sitiando a democracia brasileira. Marcelo Freixo (deputado federal, Psol-RJ)

Do Viomundo

Os recentes decretos do presidente Jair Bolsonaro reforçam a hipótese de que ele não vai ceder o poder quando derrotado em 2022, como tentou fazer Donald Trump nos Estados Unidos.

O brasileiro passa a ter o direito de possuir até seis armas de fogo, além de comprar 2 mil cartuchos para armas de uso restrito e 5 mil para as de uso não restrito.

A decisão é resultado do lobby da indústria e vai de encontro à tendência nos Estados Unidos, onde o democrata Joe Biden quer banir a fabricação e venda de armas de assalto e de magazines de alta capacidade.

Assim como aconteceu com o tabaco, antevendo limites às vendas no maior mercado mundial, os lobistas trabalham para mudar a legislação no Terceiro Mundo.

Milicianos, policiais e militares serão beneficiados pela nova legislação.

Onze dos 23 ministros de Jair Bolsonaro são militares da reserva ou da ativa.

Informações recentes do Portal da Transparência demonstram que os militares do Exército e da Marinha compraram 714 toneladas de picanha. Num dos pregões eletrônicos, a Marinha pagou R$ 84,14 pelo quilo.

Em 2020, o 38 Batalhão de Infantaria comprou 3.800 garrafas da cerveja Heineken a R$ 9,80 a unidade.

Os militares foram poupados na Reforma da Previdência e serão novamente poupados na Reforma Administrativa proposta por Bolsonaro.

O presidente da República concedeu 73% de aumento na bonificação de militares que fazem cursos ao longo da carreira, o que deve custar R$ 26,5 bilhões ao Tesouro em cinco anos.

Hoje, os maiores salários de militares são contidos pelo teto de R$ 39,2 mil. Porém, a Advocacia Geral da União já emitiu parecer segundo o qual o teto não incidiria mais sobre a soma dos vencimentos dos militares.

Assim, um militar que ganhar R$ 20 mil no Executivo e R$ 39,2 mil das Forças Armadas poderia embolsar os R$ 59,2 mil mensais.

Em janeiro deste ano, Jair Bolsonaro declarou que “o Brasil está quebrado, não posso fazer nada”.