Rede de TV tem revelado no JN o rosto dos militantes fascistas que agridem jornalistas, enfermeiras outros profissionais que discordam das ideias do “mito”.

O site Viomundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, constata que desde ontem o Jornal Nacional, da TV Globo, parece ter adotado uma nova tática em relação à militância bolsonarista: expor individualmente aqueles envolvidos em ameaças e agressões perante milhões de telespectadores brasileiros.

O empresário goiano Gustavo Gayer está sendo denunciado pelo Conselho Nacional de Enfermagem

Numa reportagem sobre ofensas proferidas por apoiadores do presidente da República a enfermeiros e jornalistas, o telejornal identificou a empresária Marluce Gomes, o funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Renan da Silva Senna e um terceiro homem de nome Gustavo Gayer, empresário goiano, que foi identificado pelo G1 Goiás.

Gustavo Gaia participa do movimento de extrema direita “Avança Brasil”, que divulga VÍDEO para “ajudar o amigo perseguido pela mídia”. Ele aparece filmando o protesto das enfermeiras. Processado pelo Conselho Federal de Enfermagem por agredir enfermeiros que faziam um protesto em Brasília, alega que gravou um vídeo criticando o ato por achar que era falso. Segundo ele, uma moradora de rua estava usando um jaleco e contou ter participado da manifestação.

Fascistas expostos

Renan é funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

O telejornal dedicou tempo para reproduzir o “discurso” de Renan diante de enfermeiras que protestavam por melhores condições de trabalho e em defesa do isolamento social: “E vocês amanhã vão pagar por tudo o que vocês estão fazendo com a nação, seus covardes. Se apoiando… Vocês consomem o nosso fruto do suor, nós construímos essa nação. O dia que os empresários pararem de trabalhar nessa terra, vocês não receberão”.

Marluce aparece dizendo a uma manifestante: “Vocês querem uma passagem pra Venezuela e pra Cuba? Eu sinto o cheiro da sua pessoa que não toma banho direito. Esse cheiro que não passa um perfume. A gente entende quem é você.”

Empresária Marluce Gomes agrediu verbalmente as enfermeiras e depois apareceu ao lado de Bolsonaro no “cercadinho” do Palácio do Planalto

De olho nela, o JN também identificou Marluce entre apoiadores de Bolsonaro no cercadinho do Palácio do Alvorada, na manhã de 5 de maio.
E registrou o diálogo do presidente em defesa da ação de seus apoiadores.
Dirigindo-se a um grupo que incluia Marluce, afirmou: “Olha só pra vocês entenderem como é essa imprensa. Mandei levantar se houve corpo de delito. Ele não pediu corpo de delito, não fez. Se houve, foi agressão verbal, o que eles fazem o tempo todo conosco. Zero agressão, mas houve um superdimensionamento daquilo por causa da mídia, porque o interesse deles é tirar a gente daqui”.

Em resumo, Bolsonaro endossou o ataque de seus apoiadores a uma manifestação pacífica organizada por profissionais de Saúde.
Diferentemente do que havia feito no dia anterior, o Jornal Nacional também publicou a foto feita pelo jornalista Dida Sampaio, do Estadão, impedido de trabalhar por bolsonaristas durante carreata seguida de aglomeração em apoio ao presidente e contra o Congresso e o STF em Brasília.

A foto tem o rosto dos três homens que, segundo Dida, agrediram a ele e ao motorista de O Estado de S. Paulo.
Os três homens permanecem sem identificação.

Neste caso, o JN disse que a foto faz parte do inquérito aberto para apurar as agressões.

Um dos suspeitos de agredir o fotógrafo Dida Sampaio também apareceu ao lado da militante Sara Winter (abaixo, de verde), que montou o Acampamento dos 300 em defesa de Bolsonaro em Brasília

Um dos suspeitos de agredir o fotógrafo Dida Sampaio também apareceu ao lado da militante Sara Winter (foto acima, de verde), que montou o Acampamento dos 300 em defesa de Bolsonaro em Brasília.
“Há como fazer uma contrarrevolução sem partir pra cima com violência”, disse ela num vídeo ao lado do homem não identificado.

“Quem me pediu para fazer tudo isso foi o prof. Olavo”, escreveu ela numa mensagem em rede social, em referência ao guru Olavo de Carvalho, que mora nos Estados Unidos.

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) apresentou  representação no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e comunicação criminal na 5ª Delegacia de Polícia de Brasília sobre o ataque a profissionais de Enfermagem ocorridas na Praça dos Três Poderes, durante ato pacífico e silencioso de protesto realizado no 1º de Maio. Os agressores foram identificados pelo Cofen, em documentação encaminhada às autoridades. O caso já está sendo acompanhado pelo Ministério Público Federal.

Com informações do Viomundo. G1, IstoÉ, Confem e Avança Brasil