O Partido dos Trabalhadores ingressou, nesta quinta-feira (12), no Supremo Tribunal Federal (STF) com uma queixa-crime contra a conduta dos procuradores da força-tarefa da operação Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro no episódio que envolveu a interceptação ilegal de um diálogo telefônico entre a então presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula.

Como foi noticiado pelo The Intercept Brasil e pela Folha de S. Paulo, o trecho utilizado pela operação Lava Jato que dava conta da tentativa de nomeação de Lula como ministro-chefe da Casa Civil com intuito de tirá-lo da mira da força-tarefa foi mais uma narrativa criada pelos procuradores e pelo então, juiz Sérgio Moro. O áudio tirado de contexto foi, inclusive, utilizado pelo ministro Gilmar Mendes para impedir o ex-presidente Lula de assumir o cargo.

“Não é possível que procuradores tenham, criminosamente, omitido escutas judiciais com a deliberada finalidade de construir uma tese própria à revelia dos fatos. Foi isso o que fizeram com o presidente Lula. Os procuradores omitiram elementos dos próprios ministros do STF, prejudicaram sua capacidade de julgar e isso não pode ficar impune”, afirmou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). “Essa ilegalidade mudou o curso da história do País”, emendou o senador.

Para o deputado federal Paulo Pimenta (RS), líder do PT na Câmara, esse foi um episódio que deixou “profundas marcas na democracia. Na avaliação do deputado, sem essa “ação criminosa” de Sérgio Moro e dos procuradores da força-tarefa da operação Lava Jato, talvez, o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff não tivesse ocorrido.

“Aquele fato [áudio] é muito relevante e precisa ser investigado em sua plenitude”, disse o deputado, na manhã desta quinta, após reunião com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

“Esse é o último gesto que nós fizemos ainda na gestão da procuradora Raquel Dodge, pedindo uma investigação, no STF, sobre possíveis crimes que foram cometidos pelos procuradores pelo então juiz Sergio Moro. Nós queremos que a sociedade saiba que ninguém está acima da lei, mesmo integrantes do Ministério Público e do Poder Judiciário quando agem em desconformidade com aquilo que a lei prevê”, afirmou o deputado, lembrando que o mandato da procuradora termina na próxima terça-feira (17).