A campanha #StopHateforProfit ganhou peso global. Ela pretende acabar com o financiamento da propagação do ódio através das redes sociais.

Viomundo – A campanha #StopHateforProfit ganhou peso global. Na verdade, a origem política da campanha vem de muito antes do assassinato de George Floyd nos Estados Unidos e da comoção que as imagens causaram em todo o planeta.

A senadora norte-americana Elizabeth Warren foi quem canalizou o descontentamento com Google, Facebook e Amazon.

Ela prometeu que, se eleita à Casa Branca, desmantelaria as gigantes do setor para promover a concorrência.

Subsidiariamente, Warren atacou o Facebook por lucrar com propaganda enganosa impulsionada pela campanha de Donald Trump, à qual atribuiu parcialmente a vitória do republicano em 2016.

Warren questionou Mark Zuckerberg, dizendo que o empresário estava colocando o lucro acima da verdade e da democracia.

O argumento de Warren é de que o Facebook aceitava propaganda paga por Trump ou aliados com informações falsas ou meias verdades para não perder uma fonte de lucro.

O empresário respondeu que não cabia à plataforma fazer censura prévia.

Porém, sob intensa pressão, Zuckerberg passou a tomar medidas para tentar conter a onda de fake news no Facebook, assim como outros empresários do setor.

É uma questão muito espinhosa, por envolver questões ligadas à liberdade de expressão.

Como se viu no Brasil, nos episódios da mamadeira de piroca e de outras fake news direcionadas ao candidato do PT Fernando Haddad, na campanha de 2018, há uma mudança de paradigma.

As fake news se propagam como fogo nas redes sociais, impulsionadas por robôs, e podem ter impacto eleitoral que não será reparado à posteriori, depois de influenciado o resultado das urnas.

Ou seja, as campanhas são incentivadas a disparar todo tipo de fake news, pois as consequências são multas ou um desmentido sem consequência para o resultado eleitoral.

Agora, porém, depois da morte de George Floyd, a campanha para acabar com o lucro gerado por mensagens de ódio ataca diretamente o bolso das corporações que controlam as redes sociais.

Por isso, a adesão da Unilever e da Coca Cola — marcas mundiais de grande peso — marca um salto de peso na campanha.

Em grande desvantagem nas pesquisas diante do democrata Joe Biden, o presidente Donald Trump será tentado a fazer uma campanha extremamente agressiva, explorando de maneira sutil o grande medo do eleitorado branco dos Estados Unidos: ficar “submetido” à coalizão que representa as minorias preta e hispânica.

Os controladores das redes sociais, agora sob pressão financeira, serão cobrados para evitar que o Trump tire proveito de novo de sua máquina de fake news.

O mesmo vale para Jair Bolsonaro — agora e em 2022.

Preocupado, Zuckerberg disse que o Facebook vai suprimir anúncios que explorem de forma pejorativa a origem, etnia, nacionalidade, gênero, orientação sexual ou status migratório de seus usuários.

A polêmica deve esquentar à medida em que as campanhas eleitorais dos Estados Unidos comecem de fato nas redes sociais.

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