Por que o prefeito está cancelando contrato feito com a Caixa que possibilitará o asfaltamento de 630 km de ruas e avenidas em Goiânia?

Marcus Vinícus de Faria Felipe

É muito conhecida a expressão “doido não rasga dinheiro”. Começo assim o texto por estranhar a decisão do prefeito Rogério Cruz (Republicanos) de não dar continuidade ao empréstimo de R$ 780 milhões que o seu antecessor, Iris Rezende (MDB) assinou com a Caixa Econômica Federal no dia 29 de novembro de 2019.

É de se estranhar porque as condições para o recurso eram muito boas:

–  O contrato estabelecia que o empréstimo deveria ser quitado em 10 anos.

– A taxa de juros anual acordada foi de 1,12%, com carência 12 meses e valor médio da prestação de R$ 8,2 milhões.

– A  primeira delas no valor de R$ 9,7 milhões e a última, a menor, R$ 6,5 milhões.

– O objetivo do empréstimo, conforme explicou o prefeito Iris Rezende era custear 11 grandes projetos, entre eles a reconstrução asfáltica de quase 630 quilômetros de vias da capital.

Logo nos primeiros dias na cadeira de prefeito, após confirmada a morte do titular, Maguito Vilela -, o vice-prefeito (então nomeado prefeito de fato e de direito), lançou dúvidas sobre o contrato de recapeamento das ruas de Goiânia.

O tempo passou e nada de desabonador foi encontrado em relação à empresa que presta o serviço.

Tempos depois, o anúncio de que não há interesse do Paço Municipal em renovar o empréstimo com a Caixa.

Na próxima quinta-feira, 09, as 8 horas da manhã, a Comissão de Obras da Câmara de Goiânia realiza reunião para discutir o distrato com a Caixa.

A comissão é presidida pelo vereador Santana Gomes (PRTB), o mesmo que pediu a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar os contratos firmados pela Prefeitura para a reconstrução do 630 quilômetros de asfalto de ruas e avenidas de Goiânia feitos durante a administração do ex-prefeito Iris Rezende.

De 2019 para 2021 a taxa de juros Selic do Banco Central, que regula todos os empréstimos das instituições financeiras subiu.

De acordo com dados fornecidos pela Caixa,  neste ano de 2021 foram liberados R$ 200 milhões do valor contratado de R$ 780 milhões, mas a prefeitura gastou apenas R$ 89 milhões, restando ainda R$ 111 milhões em caixa que precisam ser gastos até 27 de agosto.

Por que o prefeito Rogério Cruz não quer executar este contrato?

As obras serão paralisadas?

Não vai ter mais recapeamento das ruas?

E BRT fica comprometido? Pode sofrer atrasos?

Outro empréstimo e outra negociação podem acontecer em patamares de juros e taxas de serviços mais elevadas?

Ou o problema não é o empréstimo, mas a empresa que executa a obra?

Os vereadores poderiam esclarecer a opinião pública sobre estas indagações.

E mais: A prefeitura vai cancelar um empréstimo já em andamento e vai fazer outro mais vantajoso ou contribuinte vai pagar o preço de um novo empréstimo com juros maiores?

Com a palavra os nobres edis.