Espaço aberto a marconistas na Mesa Diretora e nas diretorias da Assembleia Legislativa irrita caiadistas que ensaiam lançar o Dr. Antônio à presidência da Casa

 

Favorito para assumir a presidência da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) a partir de 1 de fevereiro de 2019, o deputado estadual Alvaro Guimarães (DEM) pode ter dificultado a sua ascensão ao comando do Legislativo, que antes era vista como favas contadas. O motivo foi a espaço aberto aos marconistas na Mesa Diretora e nas diretorias da Casa.

Álvaro é um dos decanos do Legislativo Goiano, com cinco mandatos, indo para o sexto mandato. Caiadista desde 1989, quando Ronaldo Caiado disputou a presidência da República pelo PSD do ex-ministro de Minas e Energias Cesar Cals, Álvaro Guimarães também apoiou Caiado na sua candidatura ao governo do Estado em 1994 e foi um dos primeiros a deixar a base governista para cerrar fileiras com o senador nas eleições de outubro deste ano. Por este passado de proximidade, Álvaro é visto como nome que tem simpatia do governador eleito. Mas só isto pode não ser o bastante.

Exercendo o segundo mandato, o Dr. Antônio trocou o PR pelo DEM e foi o primeiro dissidente da atual base governista a anunciar apoio à candidatura de Ronaldo Caiado. Seu gesto estimulou o veterano Iso Moreira a deixar o PSDB e se filiar ao DEM e apoiar a candidatura de Caiado. Tanto o Dr. Antônio, quanto Iso Moreira, tem sido estimulados por deputados da nova base governista – tanto veteranos, quanto novatos – entrar em campo e bater chapa. A principal reclamação é que Álvaro privilegiou cargos para o PSDB e aliados do ex-governador Marconi Perillo na composição da Mesa e das diretorias.

Corre nos corredores da Alego que o deputado estadual Francisco Oliveira (PSDB), atual líder do Governo no Legislativo, deverá ser o próximo Diretor Administrativo, enquanto Eliane Pinheiro (PSDB), deve ocupar a Diretoria Parlamentar. Ambos não foram reeleitos, para o PSDB conquistou seis cadeiras e é a maior bancada da Alego, embora esteja muito longe dos 21 deputados com os quais encerrou esta 18 Legislatura. Além de diretorias, Álvaro teria garantido também dois cargos na Mesa Diretora para aliados do ex-governador Marconi Perillo, o que levou à contrariedade dentro da nova base governista.

No entendimento dos deputados caiadistas, as urnas deram um recado muito claro de que o tempo do marconismo acabou em Goiás. O ex-governador, que por quatro mandatos (16 anos) governou Goiás terminou em quinto lugar na disputa pelo Senado e o seu candidato à sucessão, o governador José Eliton (PSDB) ficou em terceiro. A Assembleia Legislativa foi renovada em mais de 50%, com 21 deputados novos num unverso de 41. A reeleição entre os marconistas foi mínima e o que ficou sinalizado é que a população goiana quer virar a página do chamado tempo novo, que mandou e desmandou por 20 anos em Goiás.

Médico, com principal base em Trindade, Dr. Antônio Carlos Caetano de Moraes aposta na mudança dos tempos, do tempo novo que se foi para o tempo atual. O governador eleito Ronaldo Caiado (DEM) tem dado demonstrações muito claras de que não pretende contemporizar com o passado, aja vista suas críticas ao déficit financeiro do governo que se finda e aos programas de incentivos fiscais do Estado. Na escolha dos seu secretariado o governador Caiado mostrou outra vez que não tem compromissos com o tempo velho ou o tempo novo: trouxe técnicos de outros Estados para comandar as principais pastas do futuro governo. A maioria destes novos secretários foram respaldados pelo presidente eleito Jair Bolsonaro ou pelo superministro da Economia, Paulo Guedes.

Se Álvaro Guimarães não fizer uma leitura correta dos novos tempos e insistir no seu olhar para o tempo novo, pode ver sua candidatura fazer água e ir à pique, antes do dia da posse.