Suplente do pai, Pedro Rodrigues é acusado deorganizar suposto esque de propinas em Roraima.

Da VEJA:

O senador Chico Rodrigues (DEM-RR), ex-vice líder do governo Bolsonaro, foi flagrado pela Polícia Federal tentando esconder 33 000 reais na cueca.

Sob pressão pública, o parlamentar foi forçado por seus colegas a se licenciar do cargo por quatro meses. A ideia era abafar o escândalo. Mas, na prática, o problema ainda continua.

O congressista será substituído pelo seu filho e sócio, Pedro Rodrigues, que, conforme revelou VEJA, também é acusado de desvio de dinheiro público controlado pelo Ministério da Saúde.

A trama começou do jeito tradicional da velha política, aquela que o presidente Jair Bolsonaro prometia combater. Em julho de 2019, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) aproveitou a sua proximidade com o Planalto para emplacar um aliado num órgão do Ministério da Saúde.

Com a anuência da bancada de seu estado, ele indicou Adriano de Almeida Corinthi para o comando do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Leste de Roraima.

A unidade faz parte de um grupo de 34 entidades públicas espalhadas pelo Brasil para prestar atendimento a populações indígenas e que se tornaram feudos políticos. Ao tomar posse, o apaniguado mudou a equipe e passou a analisar os contratos com fornecedores.

Após ser exonerada de sua função, a servidora Maria Madalena Ferreira Gomes, ex-chefe de logística do DSEI Leste de Roraima, decidiu contar tudo o que sabia à Polícia Federal.

Em um depoimento sigiloso, ela revelou que “os verdadeiros donos” do órgão eram Pedro Rodrigues, filho do senador, e Jean Frank Padilha Lobato, apontado como operador do parlamentar.

Em entrevista a VEJA, Maria Madalena detalhou como funcionava o suposto esquema de arrecadação de propinas. De acordo com ela, os fornecedores tinham que desembolsar até 20% do valor do contrato. Caso contrário, os recursos não seriam liberados ou os serviços poderiam ser suspensos.

“O Pedro Rodrigues operava o esquema para o pai. Era ele quem pedia e pegava a propina que variava de 10% a 20% do valor dos contratos”, diz ela.

O relato do esquema ilegal no DSEI Leste de Roraima é confirmado pela empresária Barbara Letícia Pantoja Gomes. Responsável pela fornecedora de alimentos Dona Chicoria, ela diz que recebeu uma ligação de um tal de Jean que se identificou como assessor do senador Chico Rodrigues e que propunha um encontro com o parlamentar em Brasília. Após a empresária declinar do convite, o interlocutor disse que ela deveria comprar alimentos de um integrante do grupo dele. Barbara se recusou.

Com isso, os pagamentos para a sua empresa começaram a atrasar. Indignada, ela resolveu prestar um depoimento à Polícia Federal no qual disse acreditar que “a motivação desses atrasos é justamente forçar a ceder à pressão e ingressar nesse esquema de ‘parceria’”. Procurada por VEJA, a empresária confirmou que foi chantageada e que, até hoje, sente medo de ter revelado o esquema para as autoridades.

 

 Mas o presidente Jair Bolsonaro disse que acabou a corrupção no Brasil, não disse?