A Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) realizou ontem,  quarta-feira (2), uma audiência pública para debater o Sistema de Defesa Antiaéreo brasileiro. O presidente da comissão, senador Vanderlan Cardoso (PP), acompanhou a apresentação do chefe do Escritório de Projetos do Exército, general Ivan Ferreira Neiva Filho, que falou sobre os programas estratégicos de defesa desenvolvidos pelo Exército Brasileiro.

O Brasil possui 17 mil quilômetros de fronteira e está ligado a 10 países da América do Sul. Só a linha costeira do Brasil tem uma extensão de 7.367 km que corresponde a 32% de toda a extensão fronteiriça nacional. De acordo com o general, o exército possui um portfólio composto por diferentes iniciativas para garantir a defesa nacional tanto terrestre como aérea.

         Sobre defesa antiaérea, o general afirmou que o exército vem desenvolvendo programas estratégicos com foco em tecnológica de ponta, autonomia, pesquisas e desenvolvimento. “O programa de Defesa Antiaérea integra as três Forças Armadas e compreende uma série de sistemas de controle, alerta, radares e comunicações”, disse.

Segundo Neiva Filho, além de extensa, a fronteira brasileira é bastante complexa, pois é composta por floresta, mata, cerrado, campos, mares e apenas com a presença humana seria impossível fazer o controle. “Já utilizamos alta tecnologia para monitorar as fronteiras e, muito em breve, creio que dentro de um ou dois anos, o Brasil irá utilizar o radar M 200, que alcança 200 quilômetros de distância e tem uma tecnologia altamente sofisticada que, certamente, dificultará ainda mais possíveis incursões inimigas”, explicou.

Para o senador Vanderlan Cardoso, o exército brasileiro é referência em diversas áreas de atuação e motivo de orgulho para os brasileiros. “Fiquei impressionado e muito feliz com tudo que vimos aqui. A CCT vem realizando uma série de audiências públicas e temos aprendido, principalmente, a valorizar ainda mais o Brasil. Muitas vezes buscamos tecnologia lá fora sem saber que aqui estamos desenvolvendo e até exportando projetos com tecnologia de ponta”, disse.

Vanderlan informou ainda que os debates em torno desse tema terão continuidade em nova audiência pública na CCT. “Já aprovamos requerimento para realizar nova audiência pública para ouvir os integrantes das Forças Armadas Brasileira, Exército, Marinha e Aeronáutica, com o objetivo central de conhecer os principais projetos ligados à ciência e tecnologia dessas importantes organizações”, finalizou o senador.

Impacto Econômico

De acordo com o general Ivan Ferreira Neiva Filho, uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostrou que a cada real investido em defesa movimenta R$ 3,66. Segundo ele, a indústria brasileira tem crescido muito com essa decisão do Exército de desenvolver a própria tecnologia de defesa e vários produtos têm sido utilizados em outras áreas.

Neiva Filho também apontou os avanços na geração de emprego, que é uma das principais bandeiras do senador Vanderlan Cardoso, através dos projetos realizados pelo Exército, “Mais de 60 mil postos de emprego vêm sendo gerados através dos programas estratégicos do exército brasileiro”, destacou.

 

Gripen e K-390

Em 2007, o governo do presidente Lula (PT) iniciou o processo de modernização da defesa aéra brasileira em tratativas com os governos francês e sueco. A idéia era cnstrução de um caça, que viesse a substituir os antigos Mirrage, mas que deveriam ser feitos numa parceria entre a FAB/Embraer e a empresa escolhida. Em 2013 o batelo foi batido pela presidente Dilma Roussef e foi feito o acordo para fabricação do caça Gripen, numa parceria entre a Embraer-FAB e a empresa sueca SAAB. No dia 10 de setembro último o novo caça da Força Aérea Brasileira (FAB), o Gripen E/F, foi entregue Linköping, na Suécia, para iniciar a fase mais difícil do projeto – durante os próximos anos, vai passar por duros testes de voo destinados a provar que o jato é capaz de realizar todas as missões de combate para as quais foi designado pela aviação militar. O evento é solene, com a presença de representantes dos governos sueco e brasileiro, entre eles o ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva, executivos das empresas envolvidas e pessoal técnico.

 

O jato 4100 é o primeiro de um lote de 36 unidades que será recebido até 2026. O contrato, no valor de 39,3 bilhões de coroas suecas, bate em 16,8 bilhões de reais, cobrindo aeronaves, transferência de tecnologia e adequação industrial. A versão F, de dois lugares, passou a ser um programa próprio, desenvolvido em conjunto pela sueca Saab e as brasileiras Embraer Defesa e Segurança (EDS), Ael Sistemas, Akaer e Atech.

O  cargueiro KC 390, aeronave criada pela Embraer, sob encomenda da Força Aérea Brasileira é outra conquista da aviação militar brasileira. Seu projeto foi iniciado no governo do presidente Lula e concluído no governo da presidenta Dilma Roussef. Para a ex-presidenta Dilma, “o desenvolvimento desta aeronave pode ser considerado um momento singular, que trará mais capacidade estratégica ao país. É um avião que tem um significado bastante importante, além do fato de ser único neste gênero, portanto, também vai propiciar ao país divisas em moedas estrangeiras, na medida em que ele, de fato, é um produto extremamente robusto e com grande capacidade”, observou a época.

O cargueiro é  fabricado pela Embraer, com a participação da Argentina, Portugal e República Tcheca. O Embraer KC-390 é capaz de realizar diversas missões, como transporte e lançamento de cargas e tropas, busca e resgate, reabastecimento em voo e combate a incêndios florestais. O contrato com a FAB é da ordem de R$ 7,2 bilhões com geração de 8,5 mil empregos na fase de desenvolvimento da aeronave.

O novo avião é capaz de transportar até 26 toneladas de carga a uma velocidade de 470 nós (870 km/h) e de operar em pistas austeras, inclusive não pavimentadas ou danificadas. Sua fuselagem acomoda cargas de grandes dimensões, com acesso por meio da rampa de carga.