Senador goiano se reuniu com embaixador da Argentina, Carlos Magariños, e defendeu acordos bilaterais entre os Países na semana em que o presidente Bolsonaro “pisou na bola” na relação comercial entre os dois países.

Na semana em que o presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) deu um duro golpe no comércio Brasil-Argentina isentando o trigo produzido nos Estados Unidos de uma sobretaxa de 10%, o senador Vanderlan Cardoso (PP), se reuniu com embaixador da Argentina para propor o contrário: uma maior aproximação entre os dois países.

Para entender o tamanho do estrago feito por sua Excelência na viagem a Washington, basta dizer que o Brasil importa 70% do trigo que consome, o que corresponde a cerca de US$ 7 bilhões/ano. No ano passado, o Brasil comprou US$ 5,9 bilhões de trigo da Argentina, cerca de US$ 270 milhões dos EUA e o restante do Paraguai e do Uruguai. O fim da sobretaxa prejudica profundamente os argentinos. “Los Hermanos”, vendem trigo para o Brasil e compram em nosso país, automóveis, eletrodomésticos, produtos de informática, num comércio que é extremamente vantajoso para os dois países.

Vanderlan presidete no Senado a Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) e durante o encontro com o argentino, Carlos Magariños, ao seu gabinete em Brasília, defendeu uma maior aproximação entre Brasil e Argentina na área de inovação tecnológica para fortalecer as relações comerciais entre os dois países.

O senador destacou que as relações comerciais entre os dois países são históricas e na soma entre importação e exportação confirma-se que a Argentina é um do nosso maior parceiro comercial, na América Latina.

“Debati com o embaixador que é necessária a expansão comercial entre nossos países na área de inovação tecnológica aplicada aos mais setores, como a pecuária, o agronegócio, a indústria e os manufaturados”, disse.

Dados da Balança Comercial entre Brasil e o País vizinho, em 2018, destaca que a Argentina é o nosso terceiro principal parceiro comercial, representando em torno de 7% a 8% das exportações brasileira. No entanto, a crise em que a Argentina  se meteu após a eleição do presidente  Maurício Macri jogou o país de volta na inflação, que está na casa dos 47%, o dólar disparou e oscila entre 39 pesos acima. Em 2017, a Argentina teve que ir duas vezes ao FMI (Fundo Monetário Internacional) pedir ajuda  e o país sofre uma uma severa recessão (o Produto Interno Bruto se contraiu pelo menos 2%). Os críticos do governo Macri debitam o insucesso econômico às reformas que reduziram a capacidade de compra dos argentinos, como a reforma da previdência argentina (que se assemelha muito aquilo que o governo Bolsonaro propõe para o Brasil).

Vanderlan saiu otimista do encontro e avalia que a aproximação entre Brasil e Argentina. é favorável para ambos países.  Na saída da reunião, o embaixador afirmou estar bastante impressionado com a capacidade e conhecimento político e empresarial do senador Vanderlan Cardoso e que deixava a audiência satisfeito com os temas tratado com o parlamentar.

 

“Convidei o senador Vanderlan a visitar a Argentina para conhecer o Instituto de Pesquisa Aplicada (INVAP)”, frisou o embaixador. O INVAP atua em projetos de tecnologia nas áreas nuclear, aeroespacial, química, médica, petrolífera, energia alternativa, telecomunicações entre outros. O senador confirmou que pretende visitar a o País vizinho, em breve, e irá ao INVAP conhecer o trabalho realizado no Instituto.

“O estado de Goiás, por exemplo, precisa melhorar sua infraestrutura, principalmente na produção de energia renovável para enfrentar a atual crise energética. Temos a pior concessionária de energia do país, que é a ENEL”, afirmou o senador, ao justificar a necessidade de investimentos na expansão de outras fontes de energia, em Goiás.

“Durante o meu mandato no Senado Federal e como presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) terei como meta a defesa de investimentos no país e em Goiás, como forma de promover a geração de emprego e renda para a população”, disse o parlamentar. O desemprego está muito alto e com investimentos na indústria, no comércio e em toda cadeia produtiva, novas vagas surgirão no mercado de trabalho para combater o desemprego”, finalizou  Vanderlan.