Levantamento feito pelo jornal Valor Econômico mostra que além de Goiânia outras capitais como Salvador, Manaus, São Paulo e Rio de Janeiro tem garantido auxílio às famílias durante a pandemia. Em Goiás a ex-secretária Lúcia Vânia deixou “no forno” projeto para substituir o antigo renda cidadã

Matéria veiculada hoje pelo jornal Valor Econômico, um dos principais veículos de análise de economia no Brasil, revela que tem crescido nas capitais e governos estaduais a preocupação com as famílias mais vulneráveis durante a pandemia. Falta trabalho e tem famílias passando por privações. O desemprego em alta. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) atinge mais de 14 milhões de brasileiros, estão sem emprego. A pandemia exige a necessidade de isolamento social, mas sem dinheiro e sem ter o que comer, como ficar em casa?

Diante desta constatação, governos municipais e estaduais estão oferecendo programas de transferência de renda, uma vez que o governo federal ainda não colocou em prática o novo auxílio emergencial, que inclusive teve significativa redução de valor, baixando de R% 600,00 para valores que começam com 150 reais e chegam até 375 reais.

Em Goiânia o prefeito Rogério Cruz (Republicanos), estabeleceu em janeiro o Renda Família, que prevê pagamento de R$ 300  durante seis meses, objetivando beneficiar 24 mil famílias. O orçamento previsto é de  cerca de R$ 46 milhões. Entre os municípios, a prefeitura de Niterói (RJ) é quem realiza o maior programa de transferência de renda; desde abril do ano passado, deposita R$ 500 para cada família. O programa foi estendido até julho desde ano com orçamento total de R$ 411 milhões.

Infográfico: Reprodução Valor

Antes de deixar a Seds (Secretaria de Desenvolvimento Social) a ex-senadora Lúcia Vânia concedeu entrevista ao jornal O Popular onde pontuou que deixou pronto na secretaria um programa para substituir o antigo “Renda Cidadã”, criado em 1999 pelo ex-governador Marconi Perillo. “Deixei este projeto pronto. Não seria um programa de renda, mas complementar. Como o governo federal está retomando o auxílio, tenho a impressão que o governo vai deixar para adiante, na eventualidade de o quadro piorar”, disse Lúcia. O fato é que a situação piorou. O Brasil atingiu a triste marca de 300 mil mortos pela covid-19 e Goiás bateu ontem o infeliz redorde de casos pelo segundo dia consecutivo. Foram registrados 5.409 novos contaminados pelo coronavírus. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde a ocupação de leitos de UTI chega a 98% e há 350 pacientes na fila de espera.

Estudo divulgado pelo Instituto Mauro Borges na edição de ontem de  O Popular, informa que em Goiás, 286 mil pessoas tiveram auxílio emergencial como única renda em 2020, o que representa cerca de 4% do total da população goiana quem chega a cerca de 7,1 milhões.

Além da vacina, a população também precisa de renda. Sem a imunização de 70% da população a pandemia não irá arrefecer, e por isto o isolamento e as medidas individuais de proteção (máscara e álcool em gel) continuam sendo a única proteção contra o vírus. Mas para garantir que o cidadão fique em casa é preciso que aja o mínimo de renda para comprar os itens básicos para sobrevivência. E este debate tem tomado conta da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás. Mesmo com as restrições impostas pela pandemia, nas últimas sessões remotas, deputados de oposição cobraram do governo um posicionamento em favor da criação de um auxílio emergencial estadual.

Ex-secretária de Ação Social, a deputada estadual Lêda Borges (PSDB) sugeriu o retorno do Renda Cidadã. Ele diz que o governo do Estado tem o cadastro das pessoas que eram assistidas pelo programa e que é preciso agir rápido, pois há muitas famílias passando necessidades. Para o deputado Antônio Gomide (PT) é preciso que o governo tenha sensibilidade social. “Com o desemprego e as dificuldades impostas pela pandemia a miséria e a pobreza absoluta cresceram em Goiás. O antigo renda cidadã atendia 70 mil famílias e 21 mil idosos com um auxílio mínimo. Se o governo quer que as pessoas fiquem em casa é necessário que elas tenham o que comer, e não é apenas a cesta básica, esta resolve o problema no dia, por isto Goiás tem que discutir com seriedade um programa de renda mínima”, cobra.

 

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