Na sua coluna a jornalista Maria Christina Fernandes observa que processos na Justiça Eleitoral podem abreviar o desastroso mandato presidencial. Renan Calheiros, ex-presidente do Senado também fez a mesma análise.

O Valor Econômico, jornal de análises econômicas e políticas é vinculado aos grupos Folha e Globo. Uma de suas principais colunistas, Maria Christina Fernandes, aponta que o melhor caminho para o Brasil se livrar o desastroso mandato de Jair Bolsonaro na presidência da República  é cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, o que abriria espaço para novas eleições.  “Se cabo, soldado e Centrão deixarem, bastam quatro votos no TSE”, diz ela

Das saídas constitucionais para o fim do governo Jair Bolsonaro, a da cassação da chapa pelo Tribunal Superior Eleitoral é aquela que parece mais simples. Não carece de convencer o capitão a renunciar, nem de alargar o funil dos 343 votos necessários à chancela parlamentar para um processo de impeachment. Bastam quatro votos. O caminho para esta maioria pró-cassação, porém, é de um sinuoso labirinto.

 

Bolsonaro responde por 6 processos por financiamento ilegal  e fake news

São seis os processos que correm no TSE. Tem de tudo lá, mas nenhuma das acusações agrega maior apelo hoje do que o disparo de mensagens falsas. Andam com o vagar próprio dos processos da Justiça Eleitoral, mas podem ser pressionados por duas investigações em curso. A primeira é aquela que apura a manipulação da investigação do desvio de verbas no gabinete do senador Flávio Bolsonaro na campanha de 2018.

A segunda investigação é aquela conduzida, no Supremo Tribunal Federal, sobre a máquina de notícias falsas”, pontua ainda a jornalista.

A lei diz que se a chapa é cassada no primeiro biênio do mandato presidencial, faz-se nova eleição. Se for no segundo, convoca-se eleição indireta, em até 90 dias, lembra a jornalista.

“Se a pedreira é tão grande, por que a ‘opção TSE’ continua sobre a mesa? Porque todas as demais saídas parecem tão ou mais difíceis. A ver, porém, se os percalços permanecerão em pé se o país, no balanço dos milhares de mortos e milhões de desempregados, decidir que não dá para seguir adiante sem afastar o principal culpado”, finaliza Maria Christina Fernandes.

Renan avisou

Numa entrevista ao colunista Lauro Jardim da Veja, publicada no dia 2 de abril, o ex-presidente do Senado, Renan Calheiros já vislumbrava esta possibilidade juridica para o afastamento de Bolsonaro, ressaltando naquela ocasião que chapa presidencial responde a vários  processos na Justiça Eleitoral.

“Renan Calheiros disse numa conversa recente que o caminho mais curto para tirar Jair Bolsonaro do Palácio Alvorada é o TSE, que tem poderes para cassar a chapa presidencial, e não o Congresso, onde tramitam os processos de impeachment”, anotou o colunista nesta quinta-feira (2/4).

Pela tese do senador alagoano, na Corte Eleitoral, além de Bolsonaro, também seria cassado o vice general Hamilton Mourão (PRTB). Ou seja, sucumbindo a chapa uma nova eleição presidencial teria de ser convocada imediatamente.