Vacina é desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com o Instituto Butantan e a Universidade Estadual Paulista.

A luta pela criação de uma vacina para o novo coronavírus tem um novo capítulo no Brasil. Foram iniciados no último final de semana testes em voluntários para a vacina ChAdOx1 nCoV-19, que é desenvolvida numa parceria entre a Universidade de Oxford e a empresa AstraZeneca PLC , conglomerado farmacêutico criado em 6 de abril de 1999 pela fusão da companhia sueca Astra AB e da britânica Zeneca Group. Os seus produtos são vendidos em mais de 100 países. O Brasil participa deste esforço através do Instituto Butatan, o maior laboratório público brasileiro dedicado a vacinas e imunização e a Universidade Estadual Paulista (Unesp).

De acordo com a Fundação Lemman para a etapa dos testes em São Paulo, a Unifesp irá recrutar dois mil voluntários que estejam na linha de frente do combate à Covid-19, uma vez que estão mais expostos à contaminação. Eles precisam ser soronegativo, ou seja, pessoas que não tenham contraído a doença anteriormente. Segundo Dra. Lily Yin Weckx, investigadora principal do estudo e coordenadora do CRIE-Unifesp, “o mais importante é realizar essa etapa do estudo agora, quando a curva epidemiológica ainda é ascendente e os resultados poderão ser mais assertivos.” Estes testes tiveram início no último final de semana.

Segundo a Unifesp além de 2 mil voluntários em São Paulo  outros mil serão recrutados no Rio de Janeiro, onde os testes serão realizados pela Rede D’Or.

“No último final de semana (20 e 21 de junho), a Fundação Lemann teve a oportunidade de celebrar com os parceiros envolvidos e especialistas responsáveis, o início dos testes em São Paulo para a vacina ChAdOx1 nCoV-19, liderada globalmente pela Universidade de Oxford”, informou a Fundação Lemann, do bilionário empresário Jorge Paulo Lemann.

Vacinas em Testes com Humanos

VACINA CANDIDATA 

(desenvolvedor/patrocinador)

TECNOLOGIA 

FASE DA PESQUISA 

Ad5-nCov

CanSino Biologics, Instituto de Biotecnologia da Academia Militar de Ciências Médicas.

Vetor de adenovírus 
recombinante tipo 5
(ad-5)

Fase I (108 voluntários) – concluída: Resultado

Fase II para dosagem e efeitos colaterais (500 voluntários)

ChAdOx1 nCov-19

Unversity of Oxford/Astra Zeneca

Vetor de adenovírus de

chimpanzé

Fase I-II, randomizado, controlado por placebo, multicêntrico (1000 voluntários)

BNT162 (a1,b1,b2,c2)

BioNTech, Fosun Pharma, Pfizer

RNA

Fase I-II para quatro vacinas, randomizado,

controlado por placebo para determinação de dose,

seleção de candidato a vacina (7600 voluntários)

CoronaVac

Sinovac Biotech

Purificada, inativada

Fase I-II randomizado, duplo cego,

centro único, placebo em Xuzhou, China (744 voluntários);

– Ainda não iniciou recrutamento.  Fase I-II em Renqiu, China (422 voluntários); já recrutando.

INO-4800 

Inovio Pharmaceuticals, CEPI, 
Korea National Institute of Health, 
International Vaccine Institute

Vacina de plasmídeo de DNA, entregue por eletroporação

Fase I (40 voluntários) EUA – em curso

Fase I/I (40+120 voluntários) Korea, a se iniciar no final de junho.

mRNA-1273

Moderna, US National Institute of allergy and Infectious Diseases

Dispersão de nanopartículas 
lipídicas com RNA mensageiro

Fase I (45 voluntários) resultados intermediários divulgados em press release

Covid-19/aAPC

Shenzhen Geno-Immune 
Medical Institute

Vetor lentiviral, antígeno artificial específico de patógeno apresentado em células dendríticas

Fase I (100 voluntários)

LV-SMENP-DC

Shenzhen Geno-Immune 
Medical Institute

Vacina lentriviral de minigene células dentríticas modificadas com vetor lentiviral

Fase I (100 voluntários)

bac TRL-Spike

Symvivo Corporation, 
University of Brithish Columbia, 
Dalhousie University

DNA, meio bacteriano (oral)

Fase I (84 voluntários)

Sem nome

Beijing Institute of Bioligical
Products, Wuhan Institute 

of biological Products

Vírus inativado de COVID-19 

Fase I (288 voluntários)

NVX-CoV2373 

Novavax

Nanopartícula recombinante da proteína S com adjuvante

Fase I (131 voluntários)

 

Há outros países cuja participação está em processo de análise e aprovação. Os resultados desses testes serão primordiais para o registro da vacina no Reino Unido, previsto para final deste ano. Entretanto, o registro formal  deve acontecer apenas após a conclusão dos estudos realizados em todos os países participantes.

Para Denis Mizne, diretor-executivo da Fundação Lemann, organização viabilizadora dos recursos necessários à realização do estudo de eficácia da vacina em São Paulo, “inserir o Brasil no panorama de vacinas contra a Covid-19 é um marco importante para nós, brasileiros, e acredito que poderemos acelerar soluções que tragam bons resultados e rápidos. Para a Fundação Lemann esta é mais uma importante oportunidade de contribuir em iniciativas de grande impacto para o nosso país e sua gente.”

Com informações da Fundação Lemann e Unesp