Aliança representa a soma de duas lideranças com experiências exitosas no mundo político e empresarial.

Marcus Vinícius de Faria Felipe

 

As eleições de 2022 já fazem parte dos bastidores da política. Para a população é ainda assunto distante, mas nos partidos e nas entidades classistas o assunto está em voga entre os que apoiam a reeleição do governador Ronaldo Caiado (DEM) e aqueles que querem alternância no poder.

Como em todas eleições, nesta  também cumpre-se a máxima: o governo está unido e a oposição dividida. Nada mais natural. Governo tem capacidade de arregimentar apoios, é um cobertor de casal, que abriga muitos, já a oposição é uma colcha de retalhos de solteiro, em que cada pedaço precisa ser costurado para montar a coberta que agasalhe a quantos for possível.

Em entrevista à jornalista Fabiane Pulcinelli, de O Popular, o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) disse que não pretende ser candidato à sucessão de Caiado, decisão que abre espaço para outras lideranças no tabuleiro político. Mas a pergunta é, quem?

Daniel Vilela pode este nome, mas o presidente estadual do MDB tem que lidar com as dificuldades internas de seu partido. Embora a tradição emedebista seja de lançar candidatos ao governo em todas as eleições, a última disputa (2018) rachou a legenda e importantes lideranças optaram pelo apoio a Caiado. Esta situação se mantém ainda hoje sendo o principal defensor da reeleição do governador o ex-prefeito Iris Rezende Machado.

Rachado o MDB perdeu de longe para Caiado em 2018. E se continuar dividido, perde de novo. E ao que parece, o partido já entendeu isto, e caminha para um entendimento com Caiado, onde o próprio Daniel pode ser colocado na vice, postergando para 2026 o sonho do MDB ter um candidato competitivo ao Palácio das Esmeraldas.

Governo sempre tem candidato, seja a reeleição ou a sucessão. Oposição, é outra coisa. O candidato costuma sair somente na última hora, pois enquanto o governo tem comando centralizado na figura do governador, na oposição isto não ocorre, e cada conversa, cada acordo é um ponto a mais na costura da chapa.

Para ser candidato de oposição algumas condições se fazem necessárias:

– Estar livre e desimpedido de compromissos que impeçam sua movimentação;

– Ter lastro político e financeiro e contar com  apoio em vários segmentos da sociedade;

Considerando estas condicionantes, dois nomes têm este perfil em Goiás: o empresário e ex-prefeito de Goianésia Otávio Lage Filho (PSDB) e o ex-presidente do Banco Central e ex-deputado federal Henrique de Campos Meirelles (PSD).

Otávio é uma liderança política testada nas urnas e um líder classista reconhecido pela classe empresarial pelas suas realizações no mundo dos negócios e por sua atuação na Adial (Associação Pró-Desenvolvimento Industrial de Goiás).

Meirelles conta com uma passagem exitosa no Banco Central (2003-2010), durante os governos do presidente Lula, período em que a economia brasileira apresentou seus melhores resultados.

Uma chapa Otávio Lage-Henrique Meirelles, tendo um como candidato ao governo do Estado e outro ao Senado – e vice-versa -, seria um diferencial no rame-rame da política goiana.

Já faz tempo que o eleitor está de saco cheio da ladainha “do governo anterior deixou tudo lascado e eu não posso fazer nada”. Este papo-furado já está doendo nos ouvidos do povão, que escuta esta litania todos os dias das bandas do Palácio do Planalto e da Casa Verde.

Otávio é uma liderança moderna do agronegócio. A Usina Jalles Machado é uma das únicas no Brasil a produzir açúcar orgânico, e isto quer dizer que toda a área de plantio é isenta de agrotóxico e a produção segue rigorosos procedimentos sócio-ambientais. Isto diz muito num país governado pelo presidente que “passa a boiada” na Amazônia, Cerrado e Pantanal permitindo desmatamento, queimadas e garimpo ilegal.

Como prefeito de Goianésia, Otávio Lage é respeitado até pelos adversários, visto como político moderno, que prestou relevantes serviços à municipalidade.

Henrique Meirelles construiu sólida carreira no mundo financeiro, nas suas passagens no Banco de Boston, no Banco Central e no Ministério da Fazenda. No Senado, certamente Meirelles teria muito a contribuir com Goiás.

Aos mais íntimos, Otávio já confidenciou o sonho de governar Goiás, mas até o momento não apresentou qualquer disposição de concorrer ao pleito de 2022.

Meirelles está com o bloco na rua costurando sua candidatura ao Senado, e através do presidente do PSD, o ex-deputado Vilmar Rocha, está conversando com lideranças dos dois lados da moeda, ou seja, situação e oposição.

Seria interessante se Otávio e Meirelles conversassem sobre o cenário político goiano. Eles têm mais afinidades do que desarmonias. E penso que esta seria uma chapa que quebraria a modorrência da sucessão em curso em Goiás, onde por falta de candidatos, Caiado pode ganhar por W.O.