O Dia Nacional de Greve na Educação, popularizado com a hastag #TsunamiDaEducação levou um milhão de pessoas às ruas de todo o país contra o corte de 30% proposto pelo MEC (Ministério da Educação) e também contra a Reforma da Previdência.

 

Em Goiânia, cerca de 15 mil se manifestaram contra a redução do orçamento na Educação. De acordo com a  Bia de Lima, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Goiás – Sintego, ocorreram manifestações em cerca de 40 cidades no Estado.

O presidente da CNTE (Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação) avaliou que as manifestações em cidades de todos os estados e no distrito federal, apenas na manhã desta quarta-feira (15), colocaram um milhão de pessoas nas ruas.

“As medidas do governo Bolsonaro são um ataque aos municípios, aos estados, à população. Sem investimento na educação não há desenvolvimento”, avalia Heleno.

Segundo o  presidente da CUT-São Paulo, Douglas Izzo,  100 mil trabalhadores e estudantes tomaram a Avenida Paulista, e preparou sindicalistas e trabalhadores para a greve geral convocada para o mês de junho.

“Ele [Jair Bolsonaro] achou que podia atacar os trabalhadores e a educação ao mesmo tempo, mas estamos juntos nas ruas para dizer que ele está enganado”, ressaltou Josué Rocha, representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da frente Povo Sem Medo.

Já Raimundo Bonfim, da Central dos Movimentos Populares (CMP), em nome da frente Brasil Popular, lembrou que, na semana passada, um dia depois de o Congresso Nacional ter imposto uma nova derrota à sua gestão, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que o governo tinha a capacidade de antever problemas, afirmando que “pode haver um tsunami na semana que vem”.

“E ele estava certo. O tsunami está aqui para dizer que balburdia é o governo”, disse Raimundo desta vez se referindo ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, que ao falar sobre o congelamento afirmou que o corte de recursos atingiria universidades que não apresentarem desempenho acadêmico esperado e, ao mesmo tempo, estiverem promovendo “balbúrdia” em seus campus.

Protesto bombou nas redes sociais

Cem mil protestaram na paulista

A hastag #TsunamiDaEducação, uma referência a força das mobilizações em todo o país, está em primeiro lugar no ranking das tags mais usadas em todo o mundo.

Nas redes, a hashtag #TsunamiDaEducação, que está entre as seis mais compartilhadas do Twitter Brasil desde as primeiras horas do dia, passou a ocupar a primeira colocação nos rankings do Twitter Brasil e também no mundial no início da tarde, acompanhando a tempestade de protestos que está sendo realizado em todo o país.

Outras hashtags relacionadas ao dia de paralisação, como #TodosPelaEducação e #NaRuaPelaEducação ocupam a segunda e a quarta colocação, respectivamente. E Lula, o presidente que mais construiu e investiu em universidades e escolas técnicas em toda a história do Brasil, foi lembrado neste dia de luta com o termo “Lula Livre”, que é o terceiro mais mencionado na rede social.

A greve, que caminha para ser uma das maiores mobilizações da história, foi convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação (CNTE) contra a reforma da Previdência de Bolsonaro que prejudica especialmente os professores, os rurais e os trabalhadores mais pobres.

A adesão ao movimento cresceu mais ainda depois que o Ministério da Educação (MEC) anunciou um congelamento no orçamento da Pasta que atinge recursos desde a educação infantil até a pós-graduação, com suspensão de bolsas de pesquisas oferecidas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Nas universidades federais, o bloqueio é de 30% dos recursos destinados a gastos como água, luz e serviços de manutenção. Da educação infantil a pós, o congelamento inclui verbas para construção de escolas, ensino técnico, bolsas de pesquisa e transporte escolar.

Estudantes reagem ao xingamento do presidente

Estudantes tomaram a Praça Cívica em Goiânia

Além do corte de 30% as manifestações foram motivadas como  reação às palavras do presidente Jair  Bolsonaro, que em entrevista em Dallas, no Texas (EUA), chamou de “idiotas úteis”,  classificados por ele como “militantes” e “massa de manobra”. os estudantes e professores que foram às ruas hoje.

A União Nacional dos Estudantes respondeu à ofensa do presidente da República. A presidente da UNE, Marinna Dias, disse durante a manifestação na Paulista, que o movimento “é o início do gosto amargo que o Bolsonaro vai sentir”. “Só lamento que ele nos ache idiotas, mas somos brasileiros e brasileiras responsáveis com o futuro da nossa nação”, completou a vice-presidente, Jessy Dayane Santos.

A expectativa do movimento estudantil é que as manifestações nacionais, que nesta quarta-feira (15) já levaram mais de 1 milhão de pessoas às ruas em diversas cidades de todo o país, ganhem peso e se equipare aos protestos de 2013, quando a população realizou protestos massivos pedindo serviços públicos de qualidade e redução nos preços das tarifas de transporte municipal. (Com informações da CUT, CNTE, Rede Brasil Atual, Brasil 247).

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