Infecções do coronavírus explodem em Oklahoma após comício de Trump, no Brasil, desestímulo de Bolsonaro ao uso de máscaras e ao isolamento leva o país a 67 mil mortes e 1,8 milhão de contaminados. ABI vai ao STF contra presidente que tirou a máscara em frente aos jornalistas durante a coletiva em que anunciou que testou positivo.

Após o comício no dia 20 de junho do presidente norte-americano Donald Trump em Tulsa, Oklahoma, mais de 500 pessoas testaram positivo para o covid19. Ontem, quarta-feira, um pico de 266 contágios foi confirmado.

De acordo com reportagem do DW, milhares de apoiadores de Trump desafiaram a pandemia para comparecer ao comício no mês passado,  visto um grande relançamento da campanha à reeleição do republicano antes do pleito marcado para novembro.

“A temperatura corporal dos participantes foi medida na entrada do comício, e máscaras foram distribuídas, mas a maioria dos participantes não usou uma – inclusive Trump. Vários membros da campanha do presidente haviam sido diagnosticados com o coronavírus antes do comício”, registra o DW.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi diagnosticado com o coronovavírus. Segundo o infectologista Júlio Croda, as pessoas que tiveram contato com o presidente Jair Bolsonaro a partir de sexta-feira, 3, dois dias antes de ele manifestar sintomas da covid-19, devem se isolar por, pelo menos, uma semana.

Ex-diretor do Departamento de Imunizações e Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde e pesquisador da Fiocruz, Júlio Croda diz que não é correto descumprir as medidas restritivas, como fez Bolsonaro nesta terça-feira, 7, ao retirar a máscara na frente dos repórteres no momento da entrevista coletiva em que anunciava a imprensa que contraiu a doença. “Se pode evitar esse tipo de proximidade, é o ideal. Não tem nenhum tipo de necessidade (expor-se).”

O Palácio do Planalto, no entanto, não recomenda quarentena de pessoas que tiveram “simples contato” com o presidente. Em nota, o governo distorce orientações de autoridades de saúde e afirma que não há protocolo sobre isolar pessoa que estiveram com doentes. “A orientação que damos aos servidores é procurar assistência médica quando apresentarem sintomas relacionados à covid-19, para avaliar necessidade de testagem. Nos casos considerados suspeitos, os servidores são orientados a ficar em casa até o resultado do exame”, afirma o Planalto.

Na mesma nota, o governo informou que 108 dos 3.400 servidores do Palácio do Planalto testaram positivo para covid-19 até 3 de julho. “Não houve mortes e mais de 90% desses casos foram assintomáticos ou apresentaram apenas sintomas leves.”

A Organização Mundial da Saúde (OMS), no entanto, afirma que é recomendável “ficar em casa” caso more com alguém infectado ou esteve a menos de um metro de um paciente com a doença. Imagens da agenda oficial de Bolsonaro mostram o presidente sem máscara em almoço na casa do embaixador dos Estados Unidos, no domingo, 5, e durante encontro com representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na sexta-feira, 3.

ABI reage contra presidente

Em nota, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) afirmou que “está entrando com uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal” contra Bolsonaro.

“Não é possível que o país assista sem reação a sucessivos comportamentos que vão além da irresponsabilidade e configuram claros crimes contra a saúde pública”, disse a ABI.

Já o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) também anunciou que entrou com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o comportamento de Bolsonaro seja investigado.

“Acabei de protocolar a minha representação no MPF para que Bolsonaro responda por crimes contra a saúde pública. O presidente violou os artigos 131 e 132 do Código Penal ao retirar a máscara durante a entrevista em que anunciou  que está com o coronavírus”, escreveu Freixo  em seu perfil do Twitter.

O artigo 131, do Código Penal, condena a prática “com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o contágio”. Bolsonaro também é acusado de infringir o artigo 132 do mesmo código, que prevê pena para quem expuser “a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente”.

Contaminação em alta

Brasil chegou na quarta-feira (8) a 67.964 mortes em decorrência da covid-19, de um total de 1.713.160 infectados desde o início da pandemia. O país continua em segundo lugar no ranking mundial de casos e mortes pelo novo coronavírus, atrás apenas dos Estados Unidos.

Nas últimas 24 horas, foram registrados 44.571 contaminados e 1.223 óbitos. O Brasil lidera o ranking mundial de mortes nas últimas duas semanas.

Atrás de São Paulo, que tem 341.365 confirmações e 16.788 óbitos, o Ceará se consolida como o segundo estado mais impactado pela doença, com 128.471 casos e 6.665 mortes. O Rio de Janeiro vem em seguida com 126.329 pessoas contaminadas e 10.970 óbitos.

Com informações do DW, Brasil de Fato e G1.