Ainda bem que o boçal Galvão Bueno não narrou a emocionante final de Flamengo 2X1 River Plate.

 

Marcus Vinícius

Não sou mengo, não tenho um fusca e a negra que eu amo não se chama Tereza. Dito isto tenho que dizer que fiquei muito feliz com a vitória do Flamento 2X1 sobre o River Plate.

Não cultivo a boçalidade de Galvão Bueno e dos coleguinhas da Globo de que “Flamengo X River é Brasil contra Argentina”.  Acho isso uma babaquice. Minha profissão me possibilitou visitar Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Panamá e Cuba e tudo que posso dizer é o povo latino-americano é alegre, culturalmente rico, e infelizmente, somos minoria num continente que fala espanhol.

A virada do Mengo sobre o River tem mais  a ver com o momento da América Latina do que pensa a vã filosofia dos globais. A “Sudamérica”, como dizem los Hermanos é um caldeirão. Do Haití, a Honduras, passando por Colômbia, Equador, Bolívia e Chile, a Grande América de Bolívar, Sucre e Martin é um vulcão em erupção.

Digo isto para voltar ao futebol.  Me causou grande tristeza o primeiro (e único) gol do River Plate. Não que o time portenho não merecesse o tento, que aliás, foi fruto de um apagão da zaga rubro-negra. O River Plate, cujo estádio tive a oportunidade de conhecer numa das visitas a Buenos Aires, poderia muito bem ter sido o campeão da Libertadores, pois tinha méritos e tradição para chegar à grande final. Mas comemoração do atacante colombiano Rafael Santos Borré foi infeliz. Ao fazer aos 14 minutos do primeiro tempo, o gol do jogo – que até os 42 minutos do segundo, seria o gol do título, Borré teve a infeliz atitude de bater continência. Que lástima! Nosso Continente está deflagrando uma luta gigante contra as tentativas de volta à ditadura no Chile, na Bolívia, no Equador, na Colômbia e no Brasil! Tudo que não precisávamos é de um campeão da Libertadores (imagine, L-I-B-E-R-T-A-D-O-R-E-S) que reverenciasse o neofascismo. Uma contradição, aliás, que um time argentino reverenciasse o militarismo, justamente quando o povo de Gardel e Maradona deu uma bicuda no infeliz governo de Maurício Macri.

Mas graças aos deuses do futebol dois negros decidiram o jogo. Aos 43 minutos do segundo tempo  Bruno Henrique, negro de um dos estados mais racistas do Brasil – Minas Gerais – escolhido o melhor em campo na final –  deu passe decisivo ao hermano uruguaio Giorgian Daniel De Arrascaeta Benedetti que com tranquilidade colocou  de frente para  gol o atacante negro Gabriel Barbosa, o Gabigol, paulista de São Bernardo do Campo (SP). Gabigol fez o que os gênios fazem: agiu com simplicidade e colocou a bola pra dentro. Três minutos depois Gabigol mostrou porque malandro é malandro e mané é mané. A bola quicou na frente dos defensores do River, Gabigol acompanhou a trajetória e bateu de primeira. sem defesa para o goleiro Armani.

Num ano em que balas da polícia genocida do nazifascista governador Wilson Witzel, (PSC) mataram a garota negra Ághata (9 anos), Gabibol marcou um golaço ao deixar o populista de extrema direita com os braços no ar esperando o seu abraço.

O Brasil de Bolsonaro e Witzel é racista e fascista. Os números mostram que 75% dos mortos em confrontos com a polícia são negros. Obrigado Gabigol pelos gols nas quatro linhas e pelo golaço fora do campo. O Brasil merece a alegria do seu futebol, e os fascistas o seu desprezo.