Doutor em eonomia e professor da UEG em Itumbiara, Angelo Cavalcante trata neste artigo da correlação entre o papel dos serviços publicos  na melhoria de qualidade de vida e renda do cidadão goiano.

 

Trabalhadores e serviços públicos

Por Ângelo Cavalcante

Para a maioria das famílias de Itumbiara – famílias pobres ou muito pobres – suas rendas são d estinadas, sobretudo, para moradia, alimentação, saúde e transporte.

Estou a tratar de um quociente de tal ordem que pode atingir sessenta e cinco por cento das famílias locais; eventualmente com o ajuste fiscal e o desmonte das políticas sociais e que inevitavelmente virão do recentemente eleito governo de Jair Bolsonaro, esta cifra tende, de fato, a aumentar.

Sem delongas… Um dos caminhos possíveis para a valorização das rendas das já bem falidas famílias da cidade é o urgente resgate dos serviços públicos.

O aprimoramento, por exemplo, da saúde pública; a elevação da qualidade dos serviços médicos disponibilizados; programas de saúde que atendam famílias nos seus locais de moradia ao estilo do já alquebrado ‘Mais Médicos’ e que, como se sabe, levava profissionais da saúde para vilas e periferias, áreas rurais, reservas indígenas, acampamentos e assentamentos de trabalhadores rurais etc. é estratégia infalível na promoção do trabalho e dos trabalhadores.

O desenvolvimento da agricultura familiar a partir, por exemplo, de hortas comunitárias ou produções familiares e bem disseminadas nos arredores da cidade ou mesmo na imensa quantidade de lotes ociosos e que a cidade ousa manter é outra medida da mais alta importância, sobretudo, considerando que feiras livres serão realizadas a fim da disponibilização de alimentos de qualidade e a preços justos e módicos.

Como o sistema de transporte público local não é um sistema de transporte público local, as famílias se veem na obrigação de adquirirem motos e carros onde o endividamento familiar vai, por óbvio, se expandindo.

Para quê? Reparem… Para que o trabalhador/trabalhadora tenha de percorrer distâncias que variam, linhas gerais, de cinco a oito quilômetros.

É evidente que um conjunto de ônibus novos, com linhas especiais, que cumpram horários em segurança e com preços subsidiados dariam conta do ‘recado’. Nem falo dos moto-táxis, o principal meio da mobilização urbana/suburbana da cidade; dos táxis convencionais ou mesmo na possibilidade de ciclovias, ao fim, estratégia recomendada por organismos multilaterais como a ONU ou a OMS para mitigar o drama da hiper-concentração de carros nas grandes e médias cidades do mundo.

Então e, finalmente, a combinação inteligente e articulada dessas políticas daria um “up” nas rendas dos trabalhadores locais, além, é claro, de transformar a paisagem política e social de Itumbiara, para além da bajulação da mídia e dos seus agentes locais, uma das mais desiguais cidades de Goiás.

*Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.