Prefeito ainda não definiu projeto político em 2020, mas sendo candidato a reeleição ou não, ele é o grande eleitor no próximo pleito eleitoral.

 

Marcus Vinícius

O prefeito Iris Rezende Machado (MDB) continua fiel ao estilo político que define a sua trajetória nos últimos 60 anos de vida pública: mantém intenso contato com o eleitor com mutirões e lançamento de obras, porém evita falar claramente sobre candidatura. Há várias razões para isto, e a principal delas é que o tempo está ao seu favor.

Parece paradoxal dizer que o tempo joga a favor de um senhor que completa 86 anos no próximo dia 12 de dezembro, mas esta é a realidade. Apesar de octagenário, Iris goza de plena saúde física e mental, como demonstra através das realizações de sua administração, seja no ajuste fiscal, – que vem permitindo à prefeitura honrar compromissos com servidores e fornecedores -, seja no rol de obras de infra-estrurtura viária iniciadas ou em conclusão.

Quando foi candidato ao governo do Pernambuco aos 78 anos, Miguel Arraes (PSB) foi questionado por uma repórter se a idade provecta não seria um empecilho para sua campanha. Bem-humorado, respondeu: “Vou perguntar a minha mãe, se ela deixar, serei candidato”.  Maria Benigna Arraes, genitora do futuro governador, tinha àquela época 96 anos. Arraes foi eleito. Seu neto, Eduardo Campos (PSB) lhe sucederia, tempos depois no comando do Estado.

O MDB espera a definição de Iris, confiante que, assim como Arraes, o líder político goiano será candidato com chances reais de vitória em 2020. Há mais debates no partido sobre quem deve ser o candidato a vice, do que sobre quem será o candidato a prefeito.

Os demais partidos com tradição política na Capital também traçam as suas estratégias levando em conta que Iris deverá ser o adversário. Com as mudanças na legislação eleitoral, que puseram fim as coligações proporcionais, ou seja, os partidos não podem montar chapas de vereador conjuntas, é imperativo que cada legenda tenha sua chapa completa para as eleições à Câmara Municipal, e a tendência é que tenham também candidatos a prefeito.

Deputado estadual Thalles Barreto (PSDB)

No PSDB o deputado estadual Thalles Barreto se prepara para esta missão. Líder da oposição na Assemblei Legislativa ele pretende defender o legado tucano, que sob a batuta de Marconi Perillo governou por 20 anos o Estado de Goiás. O PSDB, no entanto, só esteve à frente da prefeitura de Goiânia no período de governança de Nion Albernaz (1997-2000). Nos anos seguintes, a Capital do Estado foi governada pelo PT de Pedro Wilson (2001-2004) e de Paulo Garcia (2010-2016) e o MDB de Iris (2005-2010 e 2016).

Deputada estadual Adriana Accorsi (PT)

O PT  deve apresentar novamente a deputada estadual Adriana Accorsi para o escrutínio popular. Filha do saudoso prefeito Darci Accorsi (1993-1996) ela foi pela segunda vez a mulher mais votada na Assembleia Legislativa e tem como bandeiras a segurança pública e a defesa dos direitos das mulheres, crianças e adolescentes.

Deputado federal Francisco Júnior (PSD)

No PSD a tendência é repetir a dose com o deputado federal Francisco Valle Júnior, que nas eleições de 2016 terminou em terceiro lugar, atrás apenas de Vanderlan Cardoso (PP) e Iris Rezende (MDB). Ligado à Renovação Carismática Católica, Francisco Júnior já foi vereador e secretário de Planejamento no segundo governo de Iris, e deve fazer um debate focando o Plano Diretor de Goiânia.

Senador Jorge Kajuru, vereadora Dra. Cristina e deputado federal Eliaz Vaz

Líder da oposição ao Paço Municipal por várias legislaturas, o ex-vereador Elias Vaz agora ocupa tribuna na Câmara Federal. Ele pode ser o nome do PSB, ou pode optar pelo apoio a uma virtual candidatura do senador Jorge Kajuru (sem partido), uma vez que ambos foram aliados na Câmara Municipal e nas últimas eleições estaduais. Mas a dupla também trabalha com a hipótese de trazer para o PSB, ou outro partido aliado, a vereadora Dra Cristina (PSDB), que nas eleições para deputado estadual foi bem votada em Goiânia recebendo 15 mil dos 27 mil votos de eleitores da Capital.

Não há eleição definida. Só se conhece o resultado após a apuração das urnas. Mas é inegável que o prefeito Iris Rezende tem vantagem sobre seus adversários. Sendo candidato, tem o que mostrar ao eleitor. Não sendo candidato, tem um legado para defender no palanque de um virtual sucessor. Num período de conturbação política, onde é visível a decepção dos eleitores com os rumos da presidência da República, não será o discurso do “novo” que irá definir o voto. Será preciso mais do que isto para fazer o eleitor se dirigir às urnas em outubro do ano que vem. Nestes momentos, vence aquele que tem “mais garrafa para vender”. Traduzindo: mais consistência política e mais serviços prestados à população.