O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Furtado, pediu à presidência da Corte que abra uma investigação sobre um empréstimo milionário realizado pelo BNDES a uma fábrica de hidroxicloroquina.

A manifestação do subprocurador foi baseada em um pedido feito pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Humberto Costa (PT-PE).

Em março, Humberto oficiou o MP junto ao TCU para que tomasse as medidas necessárias a identificar o que levou o BNDES a destinar, em 2020, R$ 153 milhões à empresa Apsen Farmacêutica, maior produtora no Brasil da hidroxicloroquina, medicamento indicado por Jair Bolsonaro como um dos componentes do chamado “tratamento preventivo” para o coronavírus. Juntamente com ivermectina, azitromicina e cloroquina, o produto integra o que presidente batizou de “kit Covid”, um conjunto de remédios refutados pelos cientistas, sem qualquer efeito positivo e, em alguns casos, até mesmo letais para os pacientes.

O volume do empréstimo à Apsen chamou a atenção de Humberto, que é ex-ministro da Saúde. No ano passado, quando teve início a pandemia, a empresa foi agraciada com uma soma sete vezes maior do que tudo o que havia conseguido fechar em contrato com o BNDES no ano anterior.

No documento enviado à presidente da Corte de Contas, Ana Arraes, o subprocurador-geral Lucas Furtado alerta que o “tratamento precoce põe em risco a vida dos brasileiros” e questiona o porquê de a Apsen “receber tamanho empréstimo quando é do conhecimento que essa empresa é líder de produção de um remédio cuja eficácia no combate à pandemia da covid-19 está sendo reiteradamente combatida”. Lucas Furtado diz, ainda, que é “completamente imoral que o BNDES se utilize de recursos públicos em empréstimos com finalidades inúteis”.

Fonte: Assessoria de Comunicação do senador Humberto Costa