O filho “03” do presidente teria infringido a Lei de Segurança Nacional, enquanto o “02” deve ser investigado no inquérito das fake news como suposto chefe do “gabinete do ódio”.

O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF) enviou na noite de sexta-feira 29, pedido de investigação contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro, o “filho zero-três do presidente Jair Bolsonaro. A solicitação foi encaminhada a Augusto Aras, procurador-geral da República.

Segundo o pedido, Eduardo Bolsonaro cometeu “subversão da ordem política ou social previsto na Lei de Segurança Nacional”.

Na noite de quarta-feira 27, durante uma transmissão ao vivo para o site “Terça Livre” – cujo dono, Allan dos Santos, é um dos investigados na operação da Polícia Federal contra as fake news – Eduardo Bolsonaro ameaçou a Democracia brasileira com insinuações sobre uma ruptura institucional.

“Até entendo quem tem uma postura moderada para não chegar num momento de ruptura, de cisão ainda maior, de conflito ainda maior. Eu entendo essas pessoas que querem evitar esse momento de caos, mas, falando abertamente, opinião de Eduardo Bolsonaro, não é mais uma opinião de se, mas de quando isso vai ocorrer”, disse o deputado.

Não é a primeira vez que “03” profere bravatas semelhantes. Em outubro de 2019, o deputado falou em baixar um AI-5 contra uma eventual onda de protestos populares no Brasil. Um ano antes, ele também falou que bastariam “um cabo e um soldado” para fechar o STF.

Em seu despacho, Celso de Mello não relatou o que exatamente configuraria a incitação à subversão promovida por Eduardo. Entretanto, a notícia-crime apresentada no dia 28 cita as declarações do deputado na live.

O ministro, por sua vez, afirmou ser “imprescindível, em regra, a apuração dos fatos delatados, quaisquer que possam ser as pessoas alegadamente envolvidas, ainda que se trate de alguém investido de autoridade na hierarquia da República”.

“Cabe ter presente, neste ponto, por oportuno, que o Ministério Público e a Polícia Judiciária, sendo destinatários de comunicações ou de revelações de práticas criminosas, não podem eximir-se de apurar a efetiva ocorrência dos ilícitos penais noticiados”, completou o decano do STF.

 

Carlos Bolsonaro deve ser investigado

Segundo reportagem de Rafael Moraes Moura, publicada no jornal Estado de S. Paulo, o “02”, vereador Carlos Bolsonaro (PLS-RJ), deve ser o próximo investigado no inquérito da STF sobre as fake news.

Carlos Bolsonaro é suspeito de coordenar os robôs que disparsm fake news do “gabinete do ódio”

Com previsão de ser concluído em 15 de julho, mas a possibilidade concreta de ser novamente prorrogado, o inquérito já fechou o cerco sobre o ‘gabinete do ódio’, grupo de assessores do Palácio do Planalto comandado pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do chefe do Executivo. A existência desse núcleo foi revelada em reportagem do Estadão de setembro do ano passado”, aponta ainda o jornalista.

Com informações do Estadão e Conversa Afiada