O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, afirmou que um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indiciou “movimentação extremamente atípica envolvendo o escritório” do qual o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é sócio. Salles diz que operação foi “exagero”.

Do Sputnik Brasil

De acordo com o ministro Alexandre de Moraes, o relatório mostrou que o escritório do qual Salles é sócio teve uma movimentação de mais de R$ 14 milhões no período entre 1º de janeiro de 2012 e 30 de junho de 2020. Para o ministro, trata-se de uma “situação que recomenda, por cautela, a necessidade de maiores aprofundamentos”, disse.

“Sendo assim, tenho por atendidos os pressupostos necessários ao excepcional afastamento da garantia constitucional dos sigilos bancário e fiscal”, disse Moraes em decisão.

operação da Polícia Federal investiga a exportação ilegal de madeira para os EUA e Europa, envolvendo a suspeita da prática de crimes como corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e facilitação de contrabando.

De acordo com a Polícia Federal, o “referido despacho, elaborado a pedido de empresas que tiveram cargas não licenciadas apreendidas nos EUA e Europa, resultou na regularização de mais de 8 mil cargas de madeira exportadas ilegalmente entre os anos de 2019 e 2020”.

 

Ministro diz que operação é “exagero”

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, comentou a operação da Polícia Federal da qual ele foi alvo na manhã desta quarta-feira (19), classificando a ação como “exagerada e desnecessária”.

A declaração foi feita após sua participação em um seminário realizado em Brasília.

“Faço aqui uma manifestação de surpresa com essa operação que eu entendo exagerada, desnecessária. Até porque todos, não só o ministro, como todos os demais que foram citados e incluídos nessa legislação estiveram sempre à disposição para esclarecer quaisquer questões”, afirmou o ministro, conforme noticiado pelo Estadão.

Operação Akuanduba, que mobilizou cerca de 160 policiais federais nesta quarta-feira (19), foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O magistrado determinou o afastamento do cargo de 10 servidores, incluindo o presidente do Ibama, Eduardo Bim.

Foram realizados 35 mandados de busca e apreensão, no Distrito Federal e nos estados de São Paulo e do Pará, para apurar crimes contra a administração pública praticados por agentes e empresários do ramo madeireiro.