O ex-conselheiro de Donald Trump, Steve Bannon, foi preso nesta quinta-feira (20) acusado de fraude contra centenas de milhares de doadores por meio de sua campanha para construção do muro na fronteira com o México.

Steve Bannon, junto com três de seus associados, foram indiciados por investigadores do Distrito Sul de Nova York nesta quinta-feira (20).

De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, o grupo de líderes conservadores de extrema-direita é acusado de fraude contra doadores de campanha, o que levou à arrecadação de “mais de US$ 25 milhões (cerca de R$ 142 milhões) para construir um muro ao longo da fronteira sul dos Estados Unidos“.

“Os acusados fraudaram centenas de milhares de dólares dos doadores, capitalizaram em cima de seu interesse de construir o muro na fronteira para arrecadar milhões de dólares sob o falso pretexto de que a quantia seria usada em sua construção”, disse a procuradora de Manhattan, Audrey Strauss.

De acordo com os investigadores, milhares de dólares que doadores destinaram para a construção do muro foram utilizados para manter o “estilo de vida luxuoso” de Brian Kolfage, o fundador da campanha “We Built That Wall” (“Nós Construímos o Muro”, em inglês).

Idealizador da campanha que levou Donald Trump à presidência dos EUA em 2016, Steve Bannon tem bastante influência na família Bolsonaro. O filho do presidente brasileiro e deputado federal, Eduardo Bolsonaro, chegou a ser nomeado como representante da América Latina do “The Movement” (o movimento, em inglês), organização criada por Bannon para promover a eleição de governos de direita ao redor do mundo.

Acusações

Bannon, junto com três de seus associados, foram indiciados por investigadores do Distrito Sul dos EUA de Nova York na quinta-feira. Eles alegam que o grupo de líderes conservadores fraudou doadores e isso levou a arrecadar “mais de US $ 25 milhões para construir um muro ao longo da fronteira sul dos Estados Unidos”, segundo o comunicado.

O Serviço de Inspeção Postal dos Estados Unidos ajudou na investigação. Os outros mencionados na acusação são Timothy Shea, que em maio foi anunciado como administrador em exercício da Drug Enforcement Administration, Brian Kolfage, um veterano da guerra do Iraque, e Andrew Badolato. A campanha tinha como objetivo arrecadar dinheiro para ajudar o presidente Donald Trump a cumprir uma promessa de campanha de construir um muro ao longo da fronteira. Em vez disso, os promotores alegam que Bannon e sua equipe lucraram com o acordo.

Os promotores afirmam que os réus “coletivamente receberam centenas de milhares de dólares em fundos de doadores de ‘Nós Construímos o Muro’, que cada um deles usou de maneira inconsistente com as representações públicas da organização”, de acordo com a acusação.

Os réus defraudaram centenas de milhares de doadores, capitalizando seus juros em financiar um muro de fronteira para arrecadar milhões de dólares, sob o falso pretexto de que todo esse dinheiro seria gasto na construção”, disse a procuradora dos EUA Audrey Strauss, em um declaração.

‘Enquanto repetidamente garantiam aos doadores que Brian Kolfage, o fundador e rosto público de We Build the Wall, não receberia um centavo, os réus planejaram secretamente passar centenas de milhares de dólares para Kolfage, que ele usou para financiar seu estilo de vida luxuoso. Agradecemos ao USPIS por sua parceria na investigação deste caso e continuamos dedicados a erradicar e processar as fraudes onde quer que a encontremos. ‘

Repercussão

Steve Bannon e Olavo de Carvalho, os gurus do clã Bolsonaro

O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT)  disse que o conselheiro de Donald Trump e articulador da extrema direita mundial “merece ser tirado da política porque representa o mal”. Ele também afirmou que espera um destino parecido para “o guru dos Bolsonaro, um tal de Olavo de Carvalho”.

A prisão do Bannon é importante para a democracia. Outro dia vi um levantamento de que o Trump mente 11 vezes por dia. O Bannon é um fomentador de guerras. Merece ser tirado da política porque ele representa o mal”, declarou Lula. “Espero que um outro que logo tenha um destino é o guru dos Bolsonaro, que é um instigante ao ódio nesse país, um tal de Olavo de Carvalho”, disse Lula.

Com Agências