Objetivo de pequena empresa apoiada pelo PIPE-FAPESP é produzir, em poucos meses, kits de reação de ELISA para detecção de anticorpos contra o novo coronavírus no soro sanguíneo.

Eduardo Geraque | Pesquisa para Inovação – Pesquisadores da Biolinker – uma startup de biotecnologia (biotech) incubada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) – estão desenvolvendo com apoio do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) um teste de diagnóstico da COVID-19 de baixo custo e alto desempenho, com insumos totalmente nacionais.

O projeto foi um dos seis primeiros selecionados em um edital lançado pelo PIPE-FAPESP em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), para apoiar o desenvolvimento de produtos, serviços ou processos criados por startups e pequenas empresas de base tecnológica no Estado de São Paulo, voltados ao combate da COVID-19.

“A ideia é desenvolver, em poucos meses, kits padronizados de reação de ELISA [sigla em inglês de Enzyme-Linked Immunosorbent Assay] para a detecção no soro de pacientes de anticorpos circulantes IgC, produzidos em uma fase mais tardia da doença”, diz ao Pesquisa para Inovação Mona das Neves Oliveira, pesquisadora responsável pelo projeto.

Os testes serão viabilizados por uma tecnologia desenvolvida ao longo dos últimos dois anos pela empresa, que permite acelerar e otimizar processos de produção de proteínas por um sistema in vitro de transcrição e tradução, ou seja, livre de células.

Por meio do sistema, os pesquisadores já desenvolveram uma proteína que está sendo testada.

“Os testes estão funcionando muito bem. Já produzimos a proteína e agora estamos tratando de purificá-la ao máximo para evitar qualquer tipo de falso positivo ou negativo”, afirma Oliveira.

Além do sistema livre de células, o grupo também está trabalhando com as formas tradicionais de produção de proteínas, explica a pesquisadora.

“Vamos comparar tudo para ver qual tipo de produção apresenta melhor antigenicidade”, ressalta.

Detecção de anticorpos

A detecção de IgG no soro dos pacientes será feita por meio de antígenos do nucleocapsídeo N – a fração antigênica da proteína da superfície do SARS-CoV-2, chamada spike, usada pelo novo coronavírus para se conectar a um receptor nas células humanas – a proteína ACE2 – e infectá-las.

Por meio de um projeto apoiado pela FAPESP, os pesquisadores conseguiram desenvolver e validar um aptâmero – peptídeo que se liga a uma molécula-alvo – que mostrou alta afinidade e especificidade à fração constante de anticorpos IgC humanos.

“Pretendemos usar esse aptâmero conjugado com biotina [que funciona como coenzima no metabolismo de purinas e carboidratos] para a detecção”, afirma Oliveira.

Segundo a pesquisadora, os custos de produção do teste serão baixos porque a produção tanto dos aptâmeros como dos antígenos pelo método sem a presença de células é econômica.

Além disso, a empresa já possui plasmídeos (moléculas duplas de DNA com capacidade de reprodução) próprios para expressão das proteínas e protocolos de produção bem estabelecidos.

“Será um ensaio rápido e de baixíssimo custo que poderá ser usado em qualquer lugar para a triagem epidemiológica da doença. Já existem algumas negociações em curso com grupos interessados em fabricar os testes em grande escala, depois que estiverem 100% calibrados e prontos para serem usados na população”, afirma Oliveira.

O projeto conta com a parceria da professora Ester Sabino, pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), que liderou o sequenciamento do novo coronavírus no Brasil.
Fonte: Agência Fapesp – Foto Wikimedia