Personagens criados pelo gênio da Marvel, que morreu este ano aos 95 anos, ajudaram americanos a ver com outros olhos problemas como a discriminação racial e de gênero e a luta das mulheres pela emancipação

Por Cynara Menezes*

Um texto de Stan Lee de 1968 republicado pela jornalista Jen Yamato, do Los Angeles Times, em seu twitter, rodou o mundo na semana passada, após a morte do roteirista. Uma celebridade dos quadrinhos, Lee, de 95 anos, esteve envolvido na criação de quase todos os super-heróis que surgiram nos últimos 50 anos, entre eles Homem Aranha, Hulk, Thor, X-Men e Homem de Ferro.

Publicado originalmente em 1968 na seção Stan’s Soapbox dos gibis da Marvel, o libelo contra o racismo, o preconceito e a xenofobia é de uma atualidade ímpar. Para nós, brasileiros, o impacto é ainda maior: parece ter sido escrito sob encomenda para os bolsominions. “O preconceituoso é um odiador sem razão, alguém que odeia cegamente, fanaticamente, indiscriminadamente. Ele odeia pessoas que ele nunca viu, que nunca irá conhecer, com igual intensidade –com o mesmo veneno”, criticou.

Stan Lee não se envolveu diretamente na luta anti-racista nos EUA, mas é um dos criadores do Pantera Negra, tido como o primeiro e até hoje um dos raros super-heróis negros dos quadrinhos. T’Challa, o príncipe africano que encarna o Pantera Negra, surgiu da imaginação de Stan Lee e do desenhista Jack Kirby em 1966, em aparição especial no gibi dos 4 Fantásticos –muito embora os defensores de Kirby (e detratores de Lee) digam que o carismático vovô nerd da Marvel só levou a fama por este e outros super-heróis.

O roteirista negava veementemente ter limado os parceiros dos créditos. “Nunca houve uma época em que se dizia ‘de Stan Lee’. Sempre foi ‘de Stan Lee e Steve Ditko’ (co-criador do Homem Aranha) ou ‘de Stan Lee e Jack Kirby’. Sempre fiz questão que os nomes deles fossem tão grandes quanto os meus. Eu não tinha nada a ver com o que eles recebiam. Eles eram contratados como freelancers e trabalhavam como freelancers. Aparentemente, uma hora eles acharam que deveriam receber mais dinheiro. Tudo bem, mas tinham que falar com o editor, não comigo. Eu também gostaria de ter recebido mais dinheiro”, disse Stan Lee à revista Playboy, em 2014. “Não quero que ninguém ache que tratei Kirby ou Ditko injustamente. Acho que tivemos uma relação maravilhosa. O talento deles era incrível, mas as coisas que eles queriam eu não tinha o poder de dar.”

Ao contrário de Kirby e Ditko, Lee não era freelancer, e sim funcionário da Marvel. O fato é que nenhum dos parceiros se tornaria sinônimo de Marvel como Stan Lee.
Mais cedo ou mais tarde, se o homem quiser ser digno de seu destino, devemos encher nossos corações de tolerância. Só então, e apenas neste momento, seremos realmente dignos de pensar que o homem foi criado à imagem de Deus, um Deus que chama TODOS nós de seus filhos”.

Em outra de suas colunas no Stan’s Soapbox, de 1969, Lee dá mais uma lição aos bolsominions de hoje em dia e, de quebra, a seu mentor alçado à presidência do Brasil: nenhum grande homem da História jamais foi lembrado por pregar o ódio.

O ARTIGO SOBRE O ÓDIO

“Por muitos anos nós estamos tentando ilustrar, do nosso jeito estabanado, que o amor é uma força muito mais grandiosa, uma força muito mais poderosa do que o ódio. Não queremos dizer para você sair por aí como uma Poliana saltitante, jogando flores em qualquer um que passa, mas queremos marcar um ponto. Considere três homens: Buda, Cristo e Moisés. Homens de paz, cujos pensamentos e atos influenciaram milhões através dos tempos –e cuja presença ainda é sentida em todos os cantos da Terra. Buda, Cristo e Moisés… Homens de boa vontade, homens de tolerância e sobretudo homens do amor. Agora, considere os praticantes do ódio que enlamearam as páginas da História. Quem ainda venera suas palavras? Que homenagem é feita à sua memória? Que bandeiras são levantadas em defesa de suas causas? O poder do amor –e o poder do ódio. Qual é mais verdadeiramente duradouro? Quando você estiver a ponto de desesperar… deixe que essa resposta o conforte.”

Stan Lee não se envolveu diretamente na luta anti-racista nos EUA, mas é um dos criadores do Pantera Negra, tido como o primeiro e até hoje um dos raros super-heróis negros dos quadrinhos. T’Challa, o príncipe africano que encarna o Pantera Negra, surgiu da imaginação de Stan Lee e do desenhista Jack Kirby em 1966, em aparição especial no gibi dos 4 Fantásticos –muito embora os defensores de Kirby (e detratores de Lee) digam que o carismático vovô nerd da Marvel só levou a fama por este e outros super-heróis.

O roteirista negava veementemente ter limado os parceiros dos créditos. “Nunca houve uma época em que se dizia ‘de Stan Lee’. Sempre foi ‘de Stan Lee e Steve Ditko’ (co-criador do Homem Aranha) ou ‘de Stan Lee e Jack Kirby’. Sempre fiz questão que os nomes deles fossem tão grandes quanto os meus. Eu não tinha nada a ver com o que eles recebiam. Eles eram contratados como freelancers e trabalhavam como freelancers. Aparentemente, uma hora eles acharam que deveriam receber mais dinheiro. Tudo bem, mas tinham que falar com o editor, não comigo. Eu também gostaria de ter recebido mais dinheiro”, disse Stan Lee à revista Playboy, em 2014. “Não quero que ninguém ache que tratei Kirby ou Ditko injustamente. Acho que tivemos uma relação maravilhosa. O talento deles era incrível, mas as coisas que eles queriam eu não tinha o poder de dar.”

Ao contrário de Kirby e Ditko, Lee não era freelancer, e sim funcionário da Marvel. O fato é que nenhum dos parceiros se tornaria sinônimo de Marvel como Stan Lee(Cynara Menezes edita o blog Socialista Morena).