Apesar de os incêndios na Amazônia terem se transformado em uma crise internacional, eles representam apenas uma parcela das muitas áreas onde incêndios estão queimando ao redor do mundo.

Assim como o bioma amazônico está em chamas, vastas extensões da savana na África Central, regiões árticas da Sibéria e áreas na Europa e nos EUA também vêm sofrendo com incêndios, escreve The New York Times.

Na opinião do professor John Abatzoglou, do Departamento de Geografia da Universidade de Idaho (EUA), as temperaturas mais quentes e secas “vão continuar promovendo o potencial de incêndio”, e, caso as tendências de aquecimento continuem, há o risco de “grandes e incontroláveis incêndios globais”.

Em 2019, foi registrado um aumento dramático dos incêndios florestais em algumas regiões árticas, que raramente pegavam fogo, queimando cerca de seis milhões de acres de floresta siberiana desde julho.

O artigo cita que, no Alasca, os incêndios consumiram mais de 2,5 milhões de acres de floresta de tundra e neve, levando os pesquisadores a sugerir que as mudanças climáticas e os incêndios florestais poderiam alterar permanentemente as florestas da região.

“Temos os incêndios intencionais, através da limpeza da terra. Temos os incêndios que estão acontecendo em áreas remotas que provavelmente não estariam acontecendo, pelo menos nesta gravidade, na ausência de mudança climática”, afirmou o doutor Abatzoglou, em referência às diferentes causas de queimadas.

Sibéria pegando fogo

Tão importante como as selvas tropicais, florestas como as da Sibéria são também vitais para o sistema climático global.

Desde o final de julho, as queimadas vêm devastando a Sibéria e várias outras partes da Rússia, onde o governo impôs estado de emergência. Ao todo, as chamas chegaram a atingir 6,7 milhões de acres de floresta nesta região.

África Subsaariana em chamas

Um padrão semelhante pode ser visto em alguns dos incêndios na África Subsaariana que recentemente chamaram a atenção do mundo.

Os ecossistemas da savana no norte e sul da floresta tropical da África queimam de forma bastante previsível a cada dois ou três anos, segundo Abatzoglou.

“Este é realmente o ecossistema mais propenso a incêndios do mundo […] É a combinação certa de ser úmido o suficiente para ter combustível suficiente e seco o suficiente para queimar, e há muitos relâmpagos”, explica o professor.

Ártico e Europa em risco

Neste verão europeu, que gerou uma onda de calor anormal, as queimadas eclodiram em regiões que tipicamente não sofriam com incêndios, incluindo no Alasca, na Groenlândia e na Sibéria.

No território europeu, um dos países gravemente atingidos pelas chamas neste ano foi Portugal, que teve parte de sua área destruída e várias pessoas feridas, devido a incêndios florestais, alimentados pelos ventos fortes, que começaram no dia 20 de junho em lugares de difícil acesso.

Leia mais no Sputinik Brasil