Sol registra a maior explosão em quatro anos e muda o campo magnético da Terra. Aconteceu ontem no final da manhã no horário brasileiro. O evento começou às 14h18 (UTC) ou 11h38 de Brasília, teve seu pico no minuto seguinte e chegou ao fim quinze minutos depois. Tempo suficiente, contudo, para interferir nas ondas de rádio na Terra e provocar alterações no campo magnético do nosso planeta.

Do MetSul

A explosão solar do final da manhã de domingo (03) foi do tipo X, a mais potente e energética que existe no Sol, e foi classificada como X1.5. Foi a primeira explosão solar de tipo X do atual ciclo solar 25 e pegou os cientistas especializados em tempo espacial de surpresa porque não esperavam uma explosão solar com esta magnitude para estes dias.

 

Cada ciclo solar dura aproximadamente onze anos e o atual teve início no final de 2019 e deverá ter seu pico em torno de 2025, quando o risco destas explosões solares de maior intensidade é aumentado. “Agora, o ciclo solar 25 realmente começou”, escreveu um especialista em tempo espacial.

A explosão no Sol ocorreu na recém formada mancha solar 2838, mas que já estava junto à borda do sol. Como nas últimas horas a mancha passou a estar no lado oposto da nossa estrela, não há qualquer risco de uma nova explosão associada a esta mancha ter reflexos na Terra nas próximas duas semanas. Somente quando ela retornar ao lado do sol voltado para a Terra daqui a duas semanas e não se sabe se ela permanecerá até lá.

Com a forte explosão de ontem, um pulso de raios-X ionizou o topo da atmosfera do nosso planeta e causou um blecaute de rádio de ondas curtas sobre o Oceano Atlântico. Navegantes, aviadores e operadores de rádio-amador puderam constatar os efeitos da explosão solar com propagação incomum em ondas de rádio abaixo de 30 MHz.

Blecaute de rádio afetou o Hemisfério Ocidental da Terra, especialmente a América do Norte, durante a forte explosão solar | Space Weather

As explosões solares do tipo X são as mais fortes de erupção solar. Em regra, causam os blecautes de rádio mais intensos e as tempestades geomagnéticas mais fortes, que geram auroras e podem afetar o setor elétrico. A explosão X 1.5 de ontem não apenas foi a primeira do tipo X do atual ciclo solar recém iniciado como foi a primeira desde setembro de 2017.

 

EXPLOSÃO MEXEU COM O CAMPO MAGNÉTICO DA TERRA

A explosão solar de ontem, a mais forte em quatro anos, causou impactos no campo magnético do nosso planeta. Em um observatório meteorológico na Noruega os cientistas observaram que todos os instrumentos foram afetados. A explosão produziu uma explosão de sinal de rádio, uma perturbação ionosférica, uma onda de correntes elétricas no solo e uma deflexão do campo magnético local do observatório, o que não ocorria em muitos anos.

O especialistas em tempo espacial Tony Phillips explica que o fenômeno é chamado de ‘crochê magnético’. A radiação da explosão ionizou o topo da atmosfera da Terra e fez com que as correntes fluíssem de 60 a 100 quilômetros acima da superfície da Terra. Essas correntes, por sua vez, alteraram o campo magnético polar da Terra. Ao contrário dos distúrbios geomagnéticos que chegam com uma ejeção de massa coronal dias após a explosão solar, um crochê magnético ocorre enquanto a erupção no Sol está em andamento, portanto são muito rápidos.

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