Para sociólogo, o ex-capitão está acuado pela percepção da população de que sem vacina não sairá do “pesadelo”, e pela entrada de Lula no cenário, inclusive negociando com os russos pela Sputnik V

Da RBA

A aposta do presidente Jair Bolsonaro contra lockdowns, vacinas, a ciência, máscaras e as medidas de prevenção para evitar a disseminação do Sars-Cov-2, o vírus que provoca a covid-19, é conhecida.

Entre incontáveis declarações, já afirmou em vídeo que a doença era uma “gripezinha” e que o Brasil é “um país de maricas” , por exemplo. Mas essa narrativa com que ele e seu séquito tratam a pandemia, para defender unicamente que “as pessoas precisam trabalhar”, está se saindo vencedora? “Não. Não me parece que ele está ganhando. Bolsonaro está perdendo a batalha da narrativa.

Fica cada vez mais evidente para a sociedade a necessidade da vacinação, por exemplo. Tanto que nos últimos dois dias ele está esboçando uma tentativa de mudar de rumo quanto às vacinas”, diz o sociólogo Laymert Garcia dos Santos. “Está evidente para a população que ela precisa se vacinar para sair do pesadelo.”

Para Laymert, não por acaso, o movimento do chefe de governo se tornou visível depois que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se recolocou no cenário nacional, agora “legitimado pela inocência”, com a decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, de anular as condenações no âmbito da Lava Jato, que já teve até recurso da PGR recusado pelo próprio Fachin.

Há três meses, Lula se reuniu por videoconferência com Kirill Dmitriev, diretor do Fundo de Investimento Direto Russo (RDIF), que financia a vacina Sputnik V. A informação é da colunista Bela Megale, em O Globo, nesta sexta-feira (12). O diálogo busca facilitar um acordo pelo imunizante para os estados do Nordeste.