Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara, Ângelo Cavalcante comenta os desafios do ano que se finda.

Confira artigo abaixo:

Sobrevivi!

Por Ângelo Cavalcante

Já nos arremates do ano da desgraça de 2019, a glória e o galardão é, reparem, poder gritar para si mesmo: eu sobrevivi!

Em definitivo… Não é algo menor!

Após um ano do pior (do PIOR!) governo da história brasileira; diz-se de esquemática político-administrativa concebida desde seu primeiro lampejo de existência para arrasar com universidades e institutos de educação pública; com garantias trabalhistas e previdenciárias básicas para uma das mais empobrecidas classes do trabalho em todo o mundo industrializado e; no mais desavergonhado extermínio eco-ambiental em seu perverso status de política pública, em definitivo… Atingir esta margem não é algo menor!

Eu vi amigos e aproximados serem tragados pelo suicídio, pela depressão e pela mais crônica apatia e que se possa imaginar; vi políticas públicas boas, amplas, eficazes e universais serem extintas em nome da “eficiência de governo”.

Vi o “espetáculo de governo” do Estado do Rio de Janeiro ordenar mirar na “cabecinha” e atirar para assim, dar fim a galáxia de máfias e milícias que territorializaram toda capital fluminense.

Vi (e quem não viu?) o mais aberrante grupo familiar do país criminosa e irresponsavelmente, ameaçar, humilhar e insultar dia-e-noite, professores, sindicatos, movimentos sociais, artistas e intelectuais em nome de uma lógica de poder saudosa da colonização brasileira, do escravismo e do longo ciclo de genocídios e que trespassa toda a história brasileira.

Espanto! Ninguém fora acionado, notificado, advertido ou simbolicamente punido.

O presidente da república denunciou, sem as menores e mais básicas provas, ong’s, personalidades e entidades internacionais e até com uma menina de dezesseis anos incompletos, a “excelência” andou “tretando”.

Enquanto isso, nosso essencial segue piorando!

Nunca as rendas foram tão aberrantemente concentradas. É como se estivéssemos regredido mansos e velozes aos anos de 1950.

Vi embasbacado… O Brasil tramando golpes, instabilidades e derrubadas de governos latino-americanos; o presidente e seu chanceler, um tipo de traços e feições medievais, desconsideraram e feriram orgulhosos, categorias e procedimentos de política internacional fundamentais para necessária e primordial integração regional.

Eu vi e o mundo viu… Indígenas, ambientalistas e a sempre “arriscada” população negra ser morta diante de câmeras de telefones; a única certeza era o “cumprimento do bom dever cumprido”.

Vi uma população doente de um tempo; enferma da específica e original maldade e que adoece espíritos, gestos e intenções. Eu vi a morte de um povo…

Reafirmo que chegar nesta altura e vivo é dádiva!

Atingir este “topos” e vendo, respirando, sentindo a vida e meu derredor é vitória.

Agora, em aberta homenagem a vida, é valência, obrigação e dever, render loas a está mesma vida! Como?

Em luta aberta ao atual governo; esta grande desgraça, está enorme tragédia (mais uma!) e que nos atingiu de frente.

Resta, ao fim, lutar e viver.

Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.