Ex-chanceler mente na CPI e é enquadrado por senadores.

Em depoimento na CPI da Covid nesta terça-feira (18), o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo negou que tenha causado conflitos diplomáticos com a China e ouviu do senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da Comissão, que estava mentindo sistematicamente.

Araújo usou os termos “comunavírus”, “vírus ideológico” e apontou ameaça de “pesadelo comunista” em artigo publicado em seu blog pessoal em abril de 2020 ao se referir à China.

No depoimento desta manhã, o ex-chanceler disse que o texto era uma interpretação sua do artigo de outro autor, o renomado filósofo Slavoj Zizek, que já desmentiu Ernesto Araújo na ocasião. “Ele não entendeu a questão”, afirmou o intelectual.

A senadora Kátia Abreu (PP-TO) enquadrou o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, que mentiu nesta terça-feira (18) em depoimento na CPI da Covid ao negar conflitos diplomáticos com a China. Segundo a parlamentar, a gestão de Araújo foi uma “bússola que nos levou para o naufrágio da política internacional”.

“O senhor não colocou o Brasil como pária, e sim na posição de irrelevância”, disse. “O senhor ajudou a atacar (a China), humilhando… é um negacionista compulsivo, omisso”, acrescentou.

De acordo com a senadora, “há um Ernesto que fala conosco e outro Ernesto nas redes”. “Estou confusa”, afirmou. “Por que o preconceito com vacinas?”, questionou Kátia, que também criticou o fato de o ex-chanceler ter intermediado a compra de cloroquina. “Esse medicamento foi condenado no sentido de não ser útil”, disse.

Negacionismo

Na gestão de Araújo, o governo Bolsonaro deu várias declarações hostis à China, país que fornece a maior parte dos insumos necessários à fabricação da vacina Cornovac e ao enfrentamento da Covid-19.

O ex-ministro também se opôs à compra de vacinas pelo Brasil por meio do consórcio criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para ele, a Covax Facility “fortaleceria o globalismo”.