Em entrevista ao Brasil de Fato, senador petista diz que ministro da Defesa cometeu crime de responsabilidade. Relator da CPI, Renan Calheiros (MDB) diz que senadores não temem “arreganhos ou quarteladas”

Paulo Motoryn -Brasil de Fato

O senador Rogério Carvalho (PT-SE), um dos suplentes da CPI da Covid, anunciou nesta sexta-feira (9), em uma entrevista ao vivo aos canais do Brasil de Fato no YouTube e no Facebook, que ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ministro Braga Netto (Defesa) pela nota publicada pelas Forças Armadas com intimidações ao senador Omar Aziz (PSD-AM).

“Encaminhei pedindo explicações ao presidente e devo ingressar com ação de crime de responsabilidade no STF”, afirmou o senador petista.

“Não é aceitável um país que não seja democrático. Não sei o que passa pela cabeça deles. Considero que o Braga Netto cometeu crime de responsabilidade. Ele tem que responder por isso, por atacar a democracia e a instituições democrática”, declarou.

Brasil de Fato solicitou à equipe do senador a íntegra da ação a ser protocolada no Supremo e questionou o Ministério da Defesa sobre o tema. A pasta, no entanto, ainda não retornou aos contatos feitos pela reportagem.

Na noite de quarta-feira (8), Braga Netto assinou, em conjunto com os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, uma nota com duras críticas ao presidente da CPI. O texto diz que Aziz “atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana” e faz referência à fala do congressista sobre um suposto “lado podre” das Forças Armadas.

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Durante a conversa, na manhã desta sexta, Carvalho ainda debateu o futuro da comissão e o quanto o avanço das investigações impacta nas condições de governabilidade do presidente Jair Bolsonaro. O senador afirmou que não acredita no avanço de um possível impeachment do chefe do Executivo.

“[O impeachment] depende muito do quanto a sociedade vai estar mobilizada. E da capacidade que Bolsonaro terá de manter sua base na Camara dos Deputados para se defender da votação de um impeachment. Eu creio que ele vai se tornar um cadáver insepulto e permanecerá no governo. A base dele na Câmara deve sustentá-lo”, avaliou.

Carvalho, no entanto, valorizou o avanço das investigações da CPI e disse que o relatório final deve indiciar ou sugerir o indiciamento de Bolsonaro: “A CPI vai ter elementos suficientes para indicar ou pelo menos sugerir o indiciamento do presidente. Tanto por crimes contra a saúde publica, crimes contra a vida, extermínio, quanto, agora, por crimes de improbidade e corrupção”.

Renan reage

O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), rebateu a nota das Forças Armadas e disse que membros da Comissão Parlamentar de Inquérito não aceitarão ameaças.

“Não podemos ter medo de arreganhos, ameaças, quarteladas”, afirmou o parlamentar. “Não vamos investigar instituição militar, longe de nós. Temos responsabilidade institucional. Vamos investigar sim o que aconteceu nos porões do ministério da Saúde, e vamos responsabilizar os responsáveis, sejam civis ou militares”, acrescentou.

Assista à íntegra:

Quem é Rogério Carvalho

Carvalho é um dos senadores conhecidos por fazer discursos inflamados contra as ações e omissões do governo federal contra a pandemia do novo coronavírus na CPI. O sergipano é médico formado na Universidade Federal do Sergipe, com mestrado e doutorado na Unicamp.

O petista foi eleito pela primeira vez para um cargo eletivo nas eleições de 2006. Foi eleito deputado estadual em Sergipe com 26.208 votos. Em seguida, assumiu a Secretaria de Saúde do Estado a convite do então governador Marcelo Déda, ocupando o cargo até se eleger deputado federal, em 2010. Na ocasião, obteve 116.417 votos, o equivalente a 11,31% dos votos válidos, tornando-se o deputado mais votado da história de Sergipe até aquele momento.

Com informações do Brasil247

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