Com Iris na disputa, Caiado está seguro, sem ele, 2022 é uma incógnita para o governador.

Marcus Vinícius de Faria Felipe 

A decisão do prefeito Iris Rezende Machado (MDB), em não se candidatar à reeleição, tem impactos profundos na política goiana. A se confirmar a decisão, abre-se um vácuo na disputa pela prefeitura de Goiânia e outro na sucessão estadual.

Explico.

O governador Ronaldo Caiado (DEM) não tem um nome de peso para escalar no pleito da Capital. Sua certeza era apoiar Iris. Sem ele, abre-se um leque que lhe desfavorece.

O MDB não definiu nomes.

O MDB ainda está a espera de Iris.

Mas não vai esperar eternamente. A eleição tem calendários rígidos: de 31 de agosto até 16 de setembro são permitidas as convenções para escolha de candidatos a prefeito, vice e vereadores. Depois é disputa.

O PMDB espera Iris, mas tem obrigatoriamente que ter um “plano B”. E este plano B pode ser um candidato não alinhado ao Palácio das Esmeraldas.

O ex-prefeito e ex-governador Maguito Vilela e o ex-deputado e atual presidente do MDB, Daniel Vilela, são opções viáveis. Maguito fez exitosa administração em Aparecida de Goiânia. Daniel foi bem votado em Goiânia na disputa ao governo do Estado.

Mas, para além do MDB, a ausência de Iris, refaz projetos. O senador Vanderlan Cardoso (PSD), que havia pactuado apoio a Iris, já fala na possibilidade de disputar de novo a prefeitura de Goiânia.

Vanderlan foi eleito ao Senado com apoio do MDB de Maguito e Daniel. Poderia haver nova aliança entre eles, com Vanderlan candidato a prefeito e o MDB indicando a vice? E eleito Vanderlan este apoiaria um candidato do MDB ao governo do Estado em 2022 contra Caiado?

Esta é uma possibilidade.

Outra. Vanderlan continua no Senado. Apoia o candidato do MDB (Maguito Vilela ou Daniel Vilela) e recebe o apoio de ambos para o governo do Estado.

Mais: Maguito sai candidato com apoio de Vanderlan e o MDB costura um “chapão” com os principais partidos da oposição em Goiás – do PSB do deputado federal  Elias Vaz, passando pelo PT da deputada estadual Adriana Accorsi.

Vale lembrar que foi com um chapão unindo a maioria dos partidos de oposição que Nion Albernaz (PSDB) foi eleito em 1996. Ele reuniu grupos rivais da oposição de centro-direita, como de Ronaldo Caiado (PFL), Roberto Balestra (PPR), Maria Valadão (PTB), Lúcia Vânia (PPR) e Marconi Perillo (PSDB) e foi este chapão, dois anos depois, que derrotaria o Palácio das Esmeraldas.

Caiado teme isto.

Ele estava lá.

Viveu esta história.

Sem Iris o MDB não vai se aliar automaticamente a Caiado.

Não precisa.

O MDB tem história em Goiânia. Aliás, só três partidos elegeram prefeito na Capital após a redemocratização. O PMDB/MDB em cinco oportunidades, uma com Daniel Antônio em 1985 e outra com Nion Albernaz em 1988, e depois Iris outra três vezes (2004, 2008, 2012). O PT ganhou três eleições. A primeira com Darci Accorsi , que “ganhou mas não levou” em 1985, mas em 1992 carimbou a faixa de prefeito no peito. Pedro Wilson foi eleito em 2000 e Paulo Garcia em 2012. Nion, filiado ao PSDB, seria eleito em 1996.

Em simulações, onde o nome de Iris é retirado,  Maguito  aparece como líder nas pesquisas, seguido pela deputada estadual Adriana Accorsi (PT).

Com Vanderlan a disputa embola ainda mais. É provável que fique em primeiro nas pesquisas que vierem a ser feitas.

Caiado o que fará? Bancar o ex-senador Wilder Morais (PSC)? Lançar o deputado Cairo Salim (PROS). Investir no pré-candidato do DEM, o jornalista Nilson Gomes? Vai ficar “esperando Godot”?

Este é o quadro que indica que por mais legítima que seja a disposição do prefeito Iris Rezende de encerrar sua carreira política, ele vai sofrer pressões fortíssimas antes de passar o bastão à frente.

Sobre Iris, apenas uma certeza: se nos próximos dias ele aparecer em um lançamento ou inauguração de obras, aí sim, não será mais candidato, pois a lei eleitoral proíbe prefeitáveis de participarem deste tipo de evento. A pena é a cassação da inscrição na chapa.

Se tal evento não acontecer até o dia 15 de setembro, é possível que no dia 16, Iris esteja na convenção para ser anunciado como candidato do MDB.

Até um destes fatos se confirmar o MDB é livre para pensar o futuro e Caiado para viver o seu inferno astral.