O carnaval de 2019 está sendo marcado por protestos nos blocos de rua nas principais capitais do país (RJ, SP, BH) e por manifestações políticas e contra discriminação por parte das escolas de Samba. Às críticas ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) feitas pelos bloco de rua se juntaram as escolas de samba, com enredos repletos de críticas sociais e mensagens contra a discriminação política e religiosa. O laranja foi a cor do carnaval, numa referência ao “laranjal do Queiroz”, motorista do deputado (hoje senador) Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), suspeito de se apropriar de salários de servidores do gabinete e repassá-los ao deputado, que é filho do presidente.

Reportagem da Folha, registrou no dia 25/02,  que no  pré-carnaval em São Paulo, cerca de um  milhão de foliões do Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta, saíram à avenida aos gritos de “ei, Bolsonaro, vai tomar no…” e recebeu acompanhamento da bateria. Os artistas Aydar e Simoninha puxaram gritos de “ele não” e “ele nunca”.

Também em São Paulo, o bloco 77- Originais do Punk levou às ruas o tema “destruindo o fascismo”. A marchinha que embalou o público dizia: “Doutor/ eu não me engano/ o Bolsonaro é miliciano!”.

Em Olinda (PE), o bloco Eu Acho é Pouco também criticou Jair Bolsonaro. Entre um frevo e outro, marchinhas contrárias ao atual presidente foram proferidas pelos foliões

Na capital mineira,  Belo Horizonte, o mesmo coro se repetiu. Segundo reportagem da Revista Fórum, no sábado,  dia 01/02, na abertura do tradicional cortejo “Então, Brilha”, uma multidão formou um coro: “Ei, Bolsonaro, vai tomar no c*!”. Segundo a reportagem, “o principal motivo das manifestações, pelo menos por enquanto, é a reforma da Previdência. Algumas faixas estampavam a frase: “65 anos é falta de humanidade”. O protesto também foi uma resposta à Polícia Militar de Minas Gerais, que, nesta sexta (1), tentou proibir manifestações políticas durante a festa na capital mineira.

Matéria do portal Brasil de Fato informa que os foliões do bloco Cordão do Boi Tolo, no Rio de Janeiro, fez sua caminhada na manhã deste domingo (03), usaram o Carnaval para protestar contra o momento político do país. Vestindo prioritariamente a cor laranja, em referência ao laranjal do PSL, partido de Jair Bolsonaro, as fantasias faziam menção a Fabricio Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL). Queiroz é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) após o Coaf identificar movimentações atípicas em sua conta, envolvendo também o senador eleito. Além de Queiroz, um cartaz contra a ministra dos Direitos Humanos, da Família e da Mulher, Damares Alves, também foi alvo dos manifestantes.

Samba com Xangô 

O repórter Rodrigo Veloso, do site Jornalistas Livres, destacou o enredo da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro desfilou na Marques de Sapucaí. com desfile onde aposta desta vez em nada menos que seu padroeiro, Xangô, o orixá que na religião afro-brasileira representa a Justiça. Desde a eleição do prefeito Crivela (PRB-RJ), que é ligado à igreja Universal do Reino de Deus, tem sido registrados vários incidentes de discriminação religiosa com praticantes da umbanda e candomblé, inclusive com a destruição de terreiros e centros espíritas nas favelas da capital fluminense.

Diz o refrão:
“Olori, Xangô, oiêo
Kabelice, meu padroeiro
Traz a vitória para o meu Salgueiro”

Bode e Lula na Sapucaí

A Unidos do Tuiti, que em 2018 sambou na Marquês de Sapucaí com críticas ao governo de Michel Temer (MDB-SP), vai desfiliar na madrugada desta terça-feira (05/02) a partir de 1h35, a Paraíso do Tuiuti com o enredo “O Salvador da Pátria”. Segundo reportagem do Brasil247, ” trata-se de uma bela e contundente homenagem Lula; o carnavalesco da escola, Jack Vasconcelos, antecipa o que será o desfile: “Vocês que fazem parte dessa massa irão conhecer um mito de verdade: nordestino, barbudo, baixinho, de origem pobre, amado pelos humildes e por intelectuais”, frisa.

Desde que o saudoso Joãozinho Trinta em 1989 fez a Beija Flor descer com fantasias recicladas do lixo com o enredo Ratos e urubus, larguem minha fantasia!’, o protesto e críticas à política e a desigualdade social no Brasil passaram a ser uma escolha de muitas escolas de samba do Rio. Neste ano não será diferente.