Secretario de Governo critica isolamento intermitente feito pela prefeitura de Aparecida e recebe críticas nas redes sociais.

Em 2018, dois anos após ser eleito Ernesto Roller deixou a prefeitura de Formosa, no Entorno de Brasília, para ser secretário de Governo do primo, o governador Ronaldo Caiado (DEM).

Nestes últimos dois anos Roller vem acumulado desgastes no cargo, a ponto de seu maior adversário político,  o deputado Tião Caroço, ter sido cogitado por Caiado para ocupar seu lugar na secretaria de Governo, pasta que cuida da articulação política do governador junto a Alego (Assembleia Legislativa de Goiás) e junto as prefeituras

Uma das trapalhadas atribuídas a Roller foi a imposição de uma candidatura do PSD em Aparecida,  para fazer frente ao prefeito Gustavo Mendanha (MDB). A ideia do articulador político do Palácio das Esmeraldas era uma dobradinha entre o PSD de Aparecida e o PSD de Goiânia,  que tinha como candidato o senador Vanderlan Cardodo. A estratégia “deu ruim”  e Gustavo foi reeleito com mais de 96% dos votos.

Talvez ainda ressentido da frustração eleitoral, Roller resolveu dar pitacos, via Twitter na decisão da administração municipal de reeditar o isolamento intermitente em Aparecida. O chamado “lockdown por região” foi adotado com sucesso em 2020, reduzindo o número de mortes e contágios no município.

Sobre este modelo, o prefeito Gustavo Mendanha deu justificativas técnicas, que foi registrada no site da ABC, reportando a entrevista ao programa “O mundo em sua Casa” , no dia 4/06/2020: 

“Elaboramos um estudo junto à UFG, feito com base no modelo de Israel, adaptado à nossa realidade. Isso para evitar o fechamento total [do comércio] e principalmente dando um caráter educativo para aumentarmos nossa taxa de isolamento social”, disse o prefeito.

Pesquisadores da UFG (Universidade Federal de Goiás) acompanharam todo processo e elogiaram os resultados. Além do isolamento,  Aparecida foi o município de Goiás que mais investiu em testagens com o teste PCR, e ainda apostou na compra de oxímetros, medida que reduziu drasticamente internações em UTI’s.

Mas Ernesto Roller simplesmente não tomou conhecimento dos resultados do método e de maneira atabalhoada foi ao Twitter criticar a política sanitária de Aparecida:

“Fechar Gyn e Aparecida não fechar é contrasensual, mas o prefeito Rogério se revela um líder político preocupado com seu povo e o vizinho adota agora uma postura covarde de quem não aguenta uma pressão dos ricos. Como disse Mandela “a pandemia vai separar os homens dos meninos”,criticou Rooler.

De imediato recebeu resposta:

O servidor público @Fabricio_Carvalho  Lembrou que em 2020 o modelo de escalonamento do comércio em Aparecida de Goiânia foi muito elogiado”

A jornalista @BarbaraFacao emendou “Na teoria é isso mesmo. Na prática, não há fiscalização em Goiânia, os próprios fiscais têm feito vista grossa, enquanto em Aparecida o comércio ficou realmente fechado na última semana. Fácil demais tomar decisões que não são colocadas em prática”, frisa.

Roller então bravateou: “Mais uma negacionista justificando o injustificável”.

Levou outra invertida de Bárbara:

Estou longe de ser negacionista. Inclusive, esperava uma resposta mais embasada vinda de você. Não há fiscalização efetiva em Goiânia, por isso não adianta ter decreto. Aparecida tem sim dado exemplo no combate à pandemia”.

Roller sugeriu noutro Twitter que a administração de Aparecida esta a serviço da Fieg (Federação das Indústrias de Goiás), e recebeu o contraponto do empresário Marcio Andrade:

@MendanhaGustavo parabéns pela coragem de fazer diferente e melhor. Dor de cotovelo de quem não reconhece a liderança de um prefeito que conversa e ouve a população. Prefeito exemplo para todo o país!!!

Problemas para resover no quintal

Matéria do jornal TribunaNews, de Formosa, revela que o ex-prefeito Ernesto Roller tem mais coisas com que se preocupar do que usar o Twitter para provocar intrigas políticas.

Com o título: “A difícil situação de Ernesto Roller dentro e fora do Governo de Goiás”, a matéria relata os movimentos de Ernesto Roller, desde que deixou para trás a prefeitura, na metade do mandato, para servir ao primo no Palácio das Esmeraldas.

Diz o texto:

“Em dezembro de 2018, quando renunciou ao cargo de prefeito de Formosa, após receber nas urnas 38.915 votos, contra os 10.876 de Rodrigo Lacerda, o ex-prefeito Ernesto Roller saiu da prefeitura afirmando que a sua ida para Goiânia seria para direcionar recursos e ações para Formosa. Até naquele dezembro, boa parcela da população formosense ainda acreditava nas palavras de Ernesto, já que em 2016 o principal argumento durante a sua campanha eleitoral, foi dizer que estava preparado para administrar e que seria o melhor prefeito da história do município. A ida tempestuosa do ex-prefeito para o cargo de secretário de Governo no mandato do governador Ronaldo Caiado, acabou se transformando, no final do primeiro ano em um fiasco tanto para Ernesto, como para Caiado e também o formosense”.

Noutra parte a reportagem relata perda de prestígio do secretário e a ascensão de seu adversário, Tião Caroço,  que caiu nas graças de Caiado:

Sem poder canalizar benefícios para a sua cidade por conta da fraca atuação e presença dentro do governo, Ernesto acabou caindo no ostracismo administrativo e viu o seu maior inimigo, “Tião Caroço” tomar conta do poder estadual em Formosa, indicando seus protegidos para cargos em órgãos do Estado na cidade. Apesar de também não beneficiar em nada Formosa e o formosense, o deputado “Tião”, acabou por se tornar mais forte do que Ernesto dentro do governo. Ernesto, que ainda ocupa o cargo de secretário, sem poder de decidir nada, tem que suportar a humilhação de não fazer parte das decisões e ter que se recolher a uma sala modesta e sem interlocução com secretários, presidentes de órgãos e até mesmo com o próprio governador”.

O destemperado ataque do secretário Ernesto Roller contra a administração do prefeito Gustavo Mendanha choca num momento em que o esperado é a união de todos os entes federados (municípios,  estados e União) em prol de salvar vidas.

Talvez ao invés de disparar contra Gustavo, o secretário Ernesto Roller devesse ter uma postura mais crítica ao próprio Chefe. O servilismo de Caiado ao presidente Jair Bolsonaro, este sim um negacionista assumido, trouxe gravíssimos prejuízos a Goiás e ao Brasil, que penam com a falta de vacinas que o presidente se negou a comprar no tempo hábil.

 

 

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