Do seu estúdio caseiro, Roger Walters, ex-vocalista do Pink Floyd fez uma versão da música “El Derecho de Vivir en Paz”, do chileno Victor Jara, que foi morto pela ditadura de Pinochet (1973-1990). Dedicando a cover às pessoas de Santiago, Quito, Jaffa, Rio de Janeiro, La Paz, Nova York, Bagdá, Budapeste e “todos os outros lugares em que o homem tenta nos machucar”, Walters adaptou a letra para os tempos atuais — inclusive citando o presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

 

Em trechos da letra, Waters diz:

Da minha cela na cidade de Nova York / Eu posso ouvir os cacerolazos [panelaços] / Eu sinto o seu cheiro, Pinero [provavelmente em referência a Sebastián Piñera, presidente chileno] / Todos os ratos malditos têm o mesmo cheiro.

Então cuidado Bolsonaro, Guido [provavelmente em referência a Guido Fawkes, site da direita inglesa] e [Narendra] Moti e [Donald] Trump / O cacerolazo é mais alto que todas as suas armas / É o coração das pessoas batendo / E a mensagem está perfeitamente clara / Nossa mãe Terra simplesmente não está à venda.

Você pode ver a cover completa logo abaixo, via Facebook. O trecho sobre Bolsonaro aparece por volta da marca de 2:20.

Roger Waters e “El Derecho de Vivir en Paz”

A canção original de Jara virou uma espécie de hino contra regimes ditatoriais no Chile. O autor da música de 1971 havia escrito em letra inicialmente em referência ao líder comunista vietnamita Ho Chi Minh, enquanto os EUA estavam em guerra contra o país asiático.

Porém, quando alguns anos depois o regime ditatorial de Augusto Pinochet tomou conta do país sul-americano, Victor Jara foi perseguido, torturado (teve as mãos quebradas) e morto. Desde então, “El Derecho de Vivir en Paz” se tornou um hino de resistência do país e uma lembrança dos tempos sombrios da ditadura. Ela foi revivida com força durante os protestos locais de 2019 contra o presidente Sebastián Piñera.

 

Protesto no Brasil

Em outubro de 2018 Walters fez turnê pelo Brasil onde apresentou hits de suas composições no Pink Floyd. Durante o espetáculo em São Paulo , o roqueiro fez críticas aos governantes fascistas que governam o mundo. Ele apresentou seus nomes no telão citando Trump (EUA), Orban (Ucrânia), Putin (Rússia) e o então candidato Jair Bolsonaro;  No show em Brasília, a Justiça Eleitoral proibiu a citação ao nome de Bolsonaro e Walters pôs no telão a frase “ponto de vista censurado” onde deveria estar o nome do postulante do PSL ao Palácio do Planalto, além da provocação “nem fodendo” no lugar do “#elenão” exibido na primeira apresentação da turnê Us + Them no Brasil em SP.

 

Fonte: Tenho mais discos que amigos

“Ratos”: Roger Waters toca música sobre Bolsonaro e Trump