O estudo “Como estará o mundo em 2030? – Quais serão as macrotendências?”, desenvolvido pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), procura estabelecer as tendências para os próximos dez anos na economia, tecnologia, urbanismo e relações sociais.

Marcus Vinícius

As principais conclusões do estudo é de que nesta próxima década o mundo vai apostar nas energias mais limpas, em tecnologias para reutilização da água, no big data para controle de trânsito e criminalidade nas grandes cidades, e que haverá mais demanda por alimentos e mais necessidade de investimento em ciência e tecnologia no Brasil.

Na visão dos analistas, a África Subsaariana vai apresentar as mais elevadas taxas de crescimento econômico e populacional. Nestes próximos dez anos o continente africano vai disputar o mercado do agronegócio e das commodities minerais, competindo em igualdade com as nações latino-americanas. O estudo aponta para baixo crescimento populacional e econômico no continente americano. Na Europa a expectativa é de maior demanda por bens sofisticados. O Leste e o Sul da Ásia terão crescimento econômico, da renda per capta e maior taxa de desenvolvimento social.

Agronegócio

Na avaliação do sistema Fiesp/Ciesp, “ o Brasil já realizou investimentos no setor e tem condições de absorver o aumento da demanda mundial de alimentos”, mas observa que Muitas tecnologias utilizadas no agronegócio ainda são importadas. “Por isto, tecnologias capazes de reduzir custos e expandir as oportunidades de penetração do produto nacional no exterior são essenciais para essa estratégia”. O Estudo cita a necessidade de avanços em pesquisas sobre nanotecnologia para ampliar a validade dos alimentos.

Água

Segundo o jornalista Luis Nassif, do Jornal GGN, “nas próximas décadas, a água será a mais importante commodity do planeta. O Brasil possui água em abundância, aquíferos, rios. É um bem público. Por isso não pode ser propriedade nem de estados, municípios, menos ainda de empresas privadas, conforme prevê a nova Lei do Saneamento, recém aprovada no Senado, que estabelece a privatização da água.

O estudo Fiesp/Ciesp observa que “importantes regiões do Brasil estão passando por desertificação. Por isto, técnicas para dessalinização, novas tecnologias e equipamentos que permitem a reutilização da água são oportunidades nessa área”.  Isto talvez explique a pressa de setores econômicos na privatização da água no país.

Energia

O relatório reconhece que o Brasil tem dos maiores potenciais energéticos em  fontes renováveis do mundo, principalmente, hidroelétrica e ressalta que o país tem também potencial de produção de máquinas e equipamentos para geração e distribuição de energia renovável. Entre os pontos favoráveis, enumera as tecnologias já desenvolvidas em biomassa para substituir o petróleo, como o etanol e que o Brasil está entre os dez maiores produtores de energia eólica do mundo e conta com conhecimento tecnológico no desenvolvimento e produção de turbinas. Outra ressalva é que  o país praticamente ainda não utiliza energia solar. Com redução nos custos da tecnologia, essa é uma oportunidade para estes próximos dez anos.

 

Indústria e serviços

Na visão dos especialistas que analisaram os dados sócio-econômicos,  o Brasil não ainda não figura entre os principais exportadores de bens e serviços criativos, embora seja um setor importante da economia brasileira com mais de um milhão de ocupações

Formais. “ Há oportunidade para crescimento das empresas brasileiras nos segmentos de consumo, com destaque para publicidade e arquitetura, explorando as novas mídias de comunicação. Nesses nichos há limitações para penetração de importados”, avalia.

O setor de moda e desing, produção de mídias, games e filmes deve entrar em alta. A produção de veículos elétricos e o desenvolvimento de tecnologias não poluentes são uma tendência desta década, principalmente as relativas ao controle ambiental.

Urbanismo

A tendência mundial é de aumento da urbanização. A expectativa é de um aumento de 1,35 bilhão na população mundial, dos quais, 1,29 bilhão estarão nas cidades. Os países onde deve ter maior urbanização estão no Leste asiático, Sul da Ásia e África Subsaariana.

No Brasil caminha para aumento no número de cidades de médio porte, tanto nelas quanto nas metrópoles, a administração pública terá que dispor dos recursos de big data como sendores, câmeras e motoristas conectados que orientam o fluxo de carros. O transporte público necessita de renovação, e são previstos investimentos de US$ 139 bilhões em tecnologias de interconexão, e de US$ 800 bilhões para veículos elétricos ou híbridos.

Os sistemas de saúde e de segurança também vão depender mais de tecnologias digitais, assim como plataformas de educação à distância. Estas áreas juntas, demandam investimentos superiores a US$ 750 bilhões. A avaliação é que haverá um investimento de US$ 8 trilhões na construção de habitações de baixo custo e de áreas de lazer para população.

 

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