Canção do grupo Las Tesis formado por ativistas de direitos humanos inspirou protestos ao redor do mundo; chilenas denunciam violência a mulheres no país; em junho, elas foram indiciadas por incitamento à violência contra policiais.

Um grupo de artistas feministas é acusado pela polícia do Chile de incitamento à violência deliberada a policiais.

O grupo Las Tesis que se especializou em apresentações relâmpagos pelas ruas do país critica a violência de gênero. Com sua canção, “Um estuprador no seu caminho”, as manifestantes gritam palavras de ordem dizendo que a culpa da violência sexual não é delas e nem das roupas que elas vestem, e no estribilho declaram: “O estuprador é você”.

Grupo se tornou um símbolo da demanda universal das mulheres por uma vida sem violência – Foto: Diana Leal

Realidades

A canção ultrapassou as fronteiras do Chile se espalhando pela Europa e pela Ásia, em protestos feministas, que adaptaram o texto em espanhol às suas próprias realidades.

Em comunicado conjunto, vários relatores de direitos humanos da ONU pediram o fim das acusações dizendo que o Chile tem a obrigação de proteger as defensoras de direitos humanos. Segundo eles, elas não devem ser processadas por exercer liberdade de expressão e de reunião pacífica.

Símbolo

O Las Tesis ficou conhecido ao se apresentar no Dia Internacional para Eliminação de Todas as Formas de Violência a Mulheres, em novembro passado.

Os relatores dizem que o grupo se tornou um símbolo da demanda universal das mulheres por uma vida sem violência.

Para eles, o processo contra as ativistas chilenas pode ter um efeito negativo sobre as mulheres que lutam pelos seus direitos em outros países.

Chile tem a obrigação de proteger as defensoras de direitos humanos

Os relatores da ONU também manifestaram preocupação com alguns comentários de certos integrantes do governo e autoridades chilenos sobre o indiciamento, que podem “estigmatizar e ofuscar os direitos dos ativistas o que é contra os padrões internacionais de direitos humanos”.

Governo do Chile

Eles escreveram uma carta ao governo do Chile e estão aguardando uma resposta sobre o arquivamento do caso.

Para os relatores de direitos humanos, a diversidade de opinião e as diferentes formas de expressão incluindo através da arte feminista é parte de uma sociedade democrática e que devem ser protegidas pelo Chile.

O comunicado foi assinado pelo Grupo de Trabalho sobre Discriminação a Mulheres e Meninas e mais quatro relatores de direitos humanos.

*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas e não recebem salário por sua atuação.