Vox Populi revela que  62% das pessoas consideram que o racismo no Brasil é muito forte e que o governo federal tem obrigação de apoiar a população negra com políticas públicas na saúde e educação.

Para  75% dos entrevistados pelo Vox Populi  os governos do  PT fizeram  mais pelos pobres, nas administrações de  Lula e Dilma do que no governo de Jair Bolsonaro.

Em Parelheiros, na Zona Sul de São Paulo, policial militar abusa de poder e imobiliza mulher negra pisando no pescoço dela. Reprodução: Fantástico/TV Globo

violência policial contra os negros no Brasil precisa ser neutralizada imediatamente. O episódio ocorrido em 30 de maio, quando soldados da Polícia Militar de São Paulo agrediram de maneira ultrajante uma mulher negra de 51 anos – o soldado da PM pisou no pescoço dela e ficou em pé para neutralizá-la – é intolerável. Pelo menos é a opinião da maioria da população, que cobra das autoridades e dos governantes um novo procedimento de abordagem da polícia. Nada menos que quatro em cada cinco brasileiros criticam a violência policial – 75% das pessoas consideram que a polícia é mais violenta contra os negros no país.

“Não são fatos isolados. Isso acontece todos os dias e precisa de um basta”, cobra o senador Humberto Costa (PT-PE). “Um policial não pode pisar no pescoço de ninguém. Esse episódio da PM de São Paulo é uma vergonha. A mulher chegou a desmaiar quatro vezes”.

 

O parlamentar lembra que, nos Estados Unidos, a morte de George Floyd – asfixiado até a morte por um policial que o imobilizou ajoelhando-se sobre o seu pescoço, em 25 de maio – desencadeou um debate amplo naquele país sobre o racismo e a adoção de uma nova política de segurança pública.

Os 300 anos de escravidão no país deixaram sequelas profundas e marcam a questão do racismo no Brasil. A maioria do povo brasileiro se queixa da discriminação racial de negros e negras no país, apesar da minoria branca. Estes são alguns dados do último levantamento do instituto Vox Populi, encomendado pelo Partido dos Trabalhadores, que mostra que 62% da população consideram que a discriminação racial é muito forte no país – e 31% avaliam que o racismo no Brasil é moderado. Só 6% dos brasileiros apontam que não existe racismo no país.

Políticas afirmativas

O levantamento da Vox Populi mostra ainda que 60% das pessoas acham que o governo tem obrigação de apoiar a população negra com medidas especiais na educação, na saúde e no acesso a empregos públicos. Ou seja, a política de cotas adotada pelos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff tem o apoio da maioria da população.

A maioria defende que as políticas afirmativas precisam ser retomadas, especialmente no momento em que o país se depara com o ultrajante apartheid social, agravado pelo governo Bolsonaro, e o aumento da desigualdade por conta da pandemia e da ausência de políticas de redução do impacto do Covid-19. A imensa maioria da população vive com menos de meio salário mínimo: 104 milhões de pessoas sobrevivem com R$ 413.

A pesquisa da Vox Populi captou ainda o sentimento da maioria da população – mesmo entre bolsonaristas: 74% apontam que o PT fez mais pelos pobres e pela democracia do que o atual governo. E 46% dos brasileiros avaliam que o país era melhor com Lula e Dilma. “O Brasil, que já foi respeitado e reverenciado nos governos do PT, hoje é noticiado internacionalmente como um dos piores países no enfrentamento à pandemia do Covid-19”, criticou Gleisi. “É muita incompetência e descaso com o povo”.

Vale apontar que 56,10% dos 209,2 milhões de brasileiros declaram-se negros no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE realizada em 2019. Deste total, 19,2 milhões se assumem como pretos, enquanto 89,7 milhões se declaram pardos. Os negros – que o IBGE conceitua como a soma de pretos e pardos – são, portanto, a maioria da população.

O levantamento de opinião pública foi realizado pela Vox Populi entre 25 de junho e 3 de julho, ouvindo 1.500 pessoas por telefone, residentes em todos os estados e no Distrito Federal, exceto Acre, Amapá e Roraima, em capitais, regiões metropolitanas e no interior, de todos os estratos socioeconômicos. A margem de erro é de 2,5%, estimada em um intervalo de confiança de 95%.