Episodio aconteceu na Autoliv do Brasil,  que atua no ramo da indústria automobilística e   terá que indenizar uma funcionária em R$ 180 mil por danos morais e racismo.

Como “punição por sair mais cedo do trabalho”, funcionária foi obrigada a caminhar com pulsos e braços amarrados na frente dos colegas de produção e foi chamada de ‘negra fujona’. Justiça condena a empresa e mulher desabafa.

Passei por vários casos de preconceitos, discriminação e assédios. Mas o que mais doeu, o que foi pior foi ser amarrada na linha para que meus colegas de trabalho pudessem ver que eu estava sendo punida por algo que não 

O autor da fala, chamado no processo como “Sr. Paulo”, confessou o que tinha dito à sua funcionária. No entanto, o superior aproveitou para afirmar que conhece pessoas negras em seu âmbito familiar e social e que elas foram igualmente parabenizadas.

Segundo a advogada Shayda Daher de Souza, que defende a funcionária, os superiores que cometeram a ação continuam trabalhando na empresa até hoje.

Ainda segundo a advogada, a empresa Autoliv do Brasil provavelmente não irá recorrer na 3ª instância, pois responde a outros vários processos trabalhistas.

“Quando acontece esse tipo de coisa no interior, as pessoas ficam com medo de denunciar, principalmente porque o processo precisa de testemunha. O acolhimento que fiz com essa mulher para incentivá-la a entrar com uma ação foi essencial. Precisamos incentivar as pessoas a não se calarem perante a isso”, disse.

Além deste caso, Shayda defende outros clientes contra a Autoliv do Brasil, em ações de abuso. Em uma delas, aliás, a empresa chegou a impedir que uma funcionária cumprisse seu horário de almoço.

“Isso vai de encontro com o que está acontecendo no Brasil. A destruição dos direitos trabalhistas parece que está tudo bem, mas é notório que não está, por isso a justiça trabalhista é tão importante”, ressaltou Shayda.

Sentença

No processo, a funcionária apresentou à Justiça do Trabalho outros trabalhadores da empresa que presenciaram a cena e comprovaram o episódio.

“Ficaram comprovados dois episódios gravíssimos, no meu entendimento, inadmissíveis, que esta Relatora nunca tinha vislumbrado em qualquer processo e que expuseram a Reclamante diante de seus colegas de trabalho, como relatado acima. É certo que as agressões merecem ser repudiadas e civilmente indenizadas”, disse a relatora do caso, Luciane Storel.

Com informações da Carta Capital e Pragmatismo Político