Nesta semana que passou duas polêmicas marcaram a opinião pública: o senador Chico Rodrigues (DEM) vice-líder do governo, que foi pego em operação da Polícia Federal com dinheiro atochado no oritimbó e o atacante Robinho, réu em processo de estupro, que além de não reconhecer sua culpa, tenta limpar sua barra usando o nome de Deus em vão.

Marcus Vinícius de Faria Felipe

O senador Chico Rodrigues (DEM) é amigo de longa data do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que o escolheu para ser vice-líder do governo, mas nesta semana, ele foi alvo de busca e apreensão autorizados pelo STF. Chico é investigado pela “Operação Desvid-19”, que apura desvios de mais de”R$ 20 milhões de emendas parlamentares destinados ao combate da pandemia em Roraima. Abordado pelos policiais às seis da manhã em seu apartamento em Boa Vista (RR), Chico Rodrigues tentou esconder parte dos R$ 30 mil estavam no local entre suas nádegas, mas agentes da PF acharam estranho o volume no seu bumbum fizeram revista e encontraram cerca de R$ 15 mil.

O escândalo levou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luis Barroso, a determinar o afastamento imediato do senador, ato que gerou reações imediatas dos demais senadores.

De fato, cabe ao Senado e não ao STF afastar, repreender ou cassar o mandato de um senador eleito pelo escrutínio do voto popular. Este episódio gerou uma crise entre os dois poderes, mas, para além das questões da independência dos Três Poderes, não dá para nenhum senador passar a mão na cabeça de Chico Rodrigues e dizer que ele era “um menino bom e foi pego numa traquinagem”.

Não. Nada disso.

A acusação é grave. Chico Rodrigues é acusado de roubar dinheiro que deveria ir para para Roraima salvar vidas de cidadãos daquele Estado que foram contaminados pelo coronavírus. Se for comprovada sua culpa Chico deve ser acusado de corrupção, peculato, formação de quadrilha. Mas para mim, pessoalmente, quem rouba dinheiro da saúde deveria ser acusado de assassinato.

Em nota publicada nas redes sociais, o senador afirmou:

“Acredito na justiça dos homens e na divina e que, por este motivo, estou tranquilo com o fato ocorrido nesta manhã (quarta-feira, 14). A polícia federal cumpriu sua parte em fazer buscas em uma investigação na qual meu nome foi citado. No entanto, tive meu lar invadido por apenas ter feito meu trabalho como parlamentar, trazendo recursos para o combate ao covid -19 para a saúde do estado”, afirmou. “Na vida pública é assim, e ao longo dos meus 30 anos dentro da política conheci muita gente mal intencionada a fim de macular minha imagem”, garantiu.”

Não senador, Deus não tem nada haver com suas maracutaias. E, eu pergunto, se estava tudo certo, porque o senhor escondeu o dinheiro na bunda? Se o dinheiro era lícito, por que não deixou a PF levar e depois o senhor apresentava a justificativa e retomava o dinheiro de volta?

Não ponha Deus no meio desta esparrela Sr. Chico Rodrigues.

Estupra, mas não perde perdão

O atacante Robinho, um dos “meninos do Santos”, como Neymar Jr. Caio, Diego, foi condenado em 1ª instância por estupro na Itália. Ele foi contratado pelo time que o revelou e a reação de torcedores, patrocinadores fez o Santos recuar.

Irritado com o distrato e declaradamente bolsonarista, o  jogador usa a mesma tática do presidente quando se vê com problemas,  xingou a Globo por estar “aliada ao demônio” e apelou para lives no Instagram lendo trechos da Bíblia e afirmando sua confiança em Deus.

Na sua entrevista no sábado, ele negou o estupro e disse que seu único arrependimento foi ter traído a esposa.

Mas a coisa não é bem assim.

A polícia italiana obteve permissão para colocar um gravador escondido no carro do jogador Robinho.
Veja abaixo o diálogo dele:
Tinha 5 em cima dela”
“Tô rindo aqui, nem ligo. Ela tava bêbada”
“Pegaram ela com força”
O amigo, certamente instruído pela polícia: “Você transou com ela?”
Robinho: “Não”
Amigo: “Mas eu vi vc colocando o pênis na boca dela”.
Robinho: “Isso não é transar”.
No depoimento à polícia italiana, Robinho confirmou ter transado mas disse que foi consensual.
Se estivessem na presença do Cristo, estes dois elementos certamente ouviram do Pregador um dos sete sermões das críticas aos fariseus, nas quais Jesus condena a hipocrisia e o perjúrio.
  1. Eles ensinam sobre Deus, mas não O amam – eles não entraram no Reino de Deus e também não deixam que outros entrem (Mateus 23:13-14).
  2. Eles pregam sobre Deus, mas converteram pessoas para uma religião morta, fazendo assim dos prosélitos duas vezes mais filhos do geena (inferno) do que eles próprios (Mateus 23:15).
  3. Eles ensinaram que um juramento feito no templo ou no altar não tem efeito, mas se jurado sobre a ornamentação de ouro do templo ou sobre um sacrifício ofertado no altar, tem efeito. O ouro e as oferendas, porém, não são sagradas como o templo e o altar são, mas derivam apenas uma medida menor do sagrado por estarem conectadas a eles. Os doutores e fariseus adoravam no templo e ofertavam sacrifícios no altar por que eles sabiam que o templo e o altar eram sagrados. Como eles poderiam então negar o efeito dos juramentos do que era verdadeiramente sagrado e reconhecer este mesmo efeito em objetos triviais, cuja santidade é derivada? (Mateus 23:16-22).
  4. Eles ensinavam a Lei, mas não praticavam algumas das mais importantes partes dela – justiça, misericórdia, fé em Deus. Eles obedeciam às minúcias da Lei – como a forma de tratar os temperos – mas não o significado principal da Lei (Mateus 23:23-24).
  5. Eles se apresentavam como “puros” (auto-contidos, não envolvidos com assuntos carnais), mas estavam impuros por dentro: abundava neles os desejos terrenos e carnalidade. Eles estavam cheios de “rapina e de intemperança” (Mateus 23:25-26).
  6. Eles se mostravam como justos por serem escrupulosos seguidores da Lei, mas na verdade não eram justos: a máscara de justiça escondia um mundo secreto de pensamentos e atos indignos. Eram ” semelhantes aos sepulcros caiados [branqueados com cal], que por fora parecem realmente vistosos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia” (Mateus 23:27-28).
  7. Eles professavam um grande respeito pelos profetas já mortos do passado e alegavam que jamais os teriam perseguido e matado, quando na verdade eles são farinha do mesmo saco que os perseguidores e assassinos: eles também tinham o sangue dos assassinos em suas veias (Mateus 23:29-36).

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