Duas notícias que deveriam chamar a atenção da equipe econômica do ministro da Economia (?) Paulo Guedes. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, a proa produção industrial brasileira caiu 1,2% em novembro, comparada à de outubro, e 1,7% comparada a de novembro de 2018. Outro dado, exposto pelo jornalista Miguel do Rosário, no site O Cafezinho é que o Brasil exporta cerca de 2% do petróleo cru negociado no mundo, mas importa também 2% de todo o petróleo refinado comercializado globalmente.

 

A notícia, que foi publicada primeiramente pela agência Reutrs mostra que a queda foi muito mais intensa nos setores de produtos hard: bens de capital, veículos, indústria extrativa… Em 2019, queda maior só em março, quando se registrou retração de 1,4% sobre o mês de fevereiro.

Dezembro e janeiro são meses tradicionalmente fracos para muitos setores industriais, não apenas por conta dos feriados e fim de ano e pela tendência de aproveitar o período para férias coletivas, quanto pelo fato de que é o período de “desovar estoques”.

O jornalista Fenando Brito, no seu “Tijolaço”, alerta que os dados da economia real vão desmontando o “agora a coisa vai” que domina a mídia corporativa.

A temporada já tradicional do “cortar expectativas” de crescimento começou mais cedo este ano, com o Banco Mundial baixando de 2,3% para 2% seu prognóstico de crescimento da economia brasileira”, observa Brito.

Conta alta do petróleo

No seu “Cafezinho”, Miguel do Rosário salienta que o  Brasil exporta cerca de 2% do petróleo cru negociado no mundo, mas importa também 2% de todo o petróleo refinado comercializado globalmente. Com isso, o Paísé um dos maiores importadores mundiais de petróleo refinado.

A China, com mais de 1,5 bilhão de habitantes, importa aproximadamente 3% de todo o petróleo refinado comercializado no mundo.

O percentual da China nas importações globais não é maior porque ela construiu grandes refinarias, para atender a sua demanda doméstica. Com isso, a China também exporta cerca de 3% de todo o petróleo refinado vendido globalmente.

No gráfico de exportação mundial de petróleo refinado, a participação do Brasil é irrisória: 0,31%, menor que da Colômbia, que é de 0,36%.

Para ser justo, é importante registrar que esse número está desatualizado. Em 2019, as exportações brasileiras de petróleo refinado cresceram bastante e os números ainda não estão no gráfico abaixo.

Cingapura, que praticamente não tem petróleo, mas importa cru e reexporta industrializado, tem uma participação de 7,5% nas exportações mundiais de petróleo refinado, o que significa que exporta mais de US$ 40 bilhões por ano em derivados de petróleo.

Já o Brasil exportou US$ 5,7 bilhões em derivados de petróleo em 2019, número que constituiu, aliás, um recorde histórico.

 

Fuga de dólares

No G1:

Em um ano marcado por sucessivos recordes na cotação do dólar, a retirada de dólares da economia brasileira superou o ingresso de divisas em US$ 44,768 bilhões. Os números de 2019 foram divulgados nesta quarta-feira (8) pelo Banco Central.
Essa é a maior fuga de divisas do país desde o início da série histórica da instituição, em 1982, ou seja, em 38 anos. Até então, a maior saída havia sido registrada em 1999, quando US$ 16,18 bilhões deixaram a economia brasileira.
Naquele ano, o governo Fernando Henrique Cardoso abandonou a política de bandas cambiais, instituindo a livre flutuação cambial (com intervenções para corrigir “distorções” de mercado), acompanhada por objetivos para contas públicas e pelo regime de metas para inflação – o chamado “tripé macroeconômico”, que vigora até os dias atuais.

Sem um plano estratégico de desenvolvimento, a equipe econômica trabalha apenas com o mantra do “vamos vender tudo que está aí que melhora”. Não é assim. Para piorar a politica externa sob o comando do Chancheler (?) Ernesto Araújo, põe em risco décadas de sucesso do Itamaraty em fazer amigos para o Brasil e ampliar a nossa base de exportações. Ao alinhar-se automaticamente em TUDO com os Estados Unidos, principalmente agora nesta crise entre os yankes e os persas (Irã), o Brasil corre o risco de abrir mão de um mercado que compra anualmente US$ 2 bilhões em produtos agropecuários.

Se não abrir mão da política econômica ideológica e da política externa subalterna, o Brasil corre o risco de jogar fora mais uma década, repetindo as décadas perdidas de 1980 e 1990, quando o desemprego e a inflação andavam de mãos dadas, prejudicando a vida de milhões de brasileiros.