O Brasil precisa dessa resposta, a democracia precisa dessa resposta.
Vanessa Grazziotin, para o Brasil de Fato

Desde o último domingo as redes sociais, grupos de whatsapp, meios de comunicação em geral como revistas e jornais, vêm sendo inundados com uma única pergunta: presidente Jair Bolsonaro, porque Fabrício Queiroz, depositou, na conta da primeira-dama, Michele Bolsonaro, 89 mil reais?

E essa pergunta vêm sendo repetida por milhões de pessoas pelo fato de que, no último domingo, ao ser assim questionado por um jornalista, o presidente Bolsonaro partiu para a agressão verbal.

Uma agressão verbal que não atingiu apenas aquele profissional da comunicação que fez o questionamento. Mas à toda a população brasileira, porque não foi apenas uma agressão pessoal a uma pessoa, mas às liberdades, demonstrando falta de compromisso do Presidente Jair Bolsonaro para com a verdade.

Este questionamento vêm sendo feito há muito tempo, não só em relação à primeira-dama, Michele Bolsonaro, mas para todos os filhos do presidente. A cada dia que passa somam-se revelações que mostram que, de fato, havia uma quadrilha atuando há muito tempo no Brasil desviando recursos públicos.E essa quadrilha tinha um mentor, um coordenador: Jair Messias Bolsonaro.

Ele que colocou a atual e também as ex-esposas e os filhos todos nessa prática de desvio de recursos públicos. As provas são claríssimas e mostram as ações de corrupção não apenas do 01, do 02 e do 03. Carlos, Flávio e Eduardo Bolsonaro, vereador, senador e deputado, respectivamente, estão envolvidos nos esquemas e inclusive usam empresas para promover a lavagem de dinheiro. Mas, principalmente, quem está envolvido nos esquemas de corrupção é Jair Messias Bolsonaro. Não há por onde esconder.

O fato é muito grave porque se trata de ações de ilicitude praticadas pelo presidente e sua família. Aliás, sobre isso, escreveu muito bem na sua coluna no último domingo, o articulista Jânio de Freitas, quando se refere à fala do ministro Fachin, do Supremo Tribunal Federal, durante a semana que se passou. Fachin disse que o Brasil vive uma verdadeira escalada de autoritarismo e que essa escalada vêm acontecendo após as eleições de 2018, que aliás, disse que seria importante ter tido a participação do presidente Lula.

Mas disse mais, que as eleições de 2022 poderão ficar ou estarem comprometidas se não se protegerem as instituições e a democracia. Ora – segue Janio de Feitas – de tudo isso, o Brasil já sabe. Nós temos exata noção do perigo que corremos com Bolsonaro na presidência da República, entretanto a importância do artigo de Janio de Freitas está nas suas conclusões, quando ele diz que, claramente, não faltaram ocasiões em que não apenas o STF, mas também o Tribunal Superior Eleitoral foram chamados à sustar isso que ele chama de escalada autoritária. Não faltaram oportunidades. Aliás, não faltam.

Porque tramitam, tanto no Supremo, quanto no TSE inúmeros processos contra Jair Bolsonaro que tratam de fakenews, de rachadinha,de ilicitude, de corrupção. Ou seja, está claro que existem fartas provas de crimes de responsabilidade cometidos. E a conclusão é a seguinte: em relação à essas arbitrariedades e essa impunidade, há correspondência, tanto no Congresso Nacional, como principalmente no Judiciário. Mas diante da revelação de tantos e novos fatos que provam o envolvimento de corrupção da família Bolsonaro, não há mais como este poder continuar passivo ou o parlamento não abrir no mínimo uma CPI, o presidente da Câmara não analisar os tantos pedidos de processo de Impeachment que existem contra Jair Bolsonaro

Portanto, a pergunta que se repete aos milhões, dirigida à Jair Bolsonaro, no meu entendimento, deve também ser dirigida ao Poder Judiciário, ao Ministério Público Federal. Ou seja: MPF, porque Fabrício Queiroz depositou R$ 89 mil na conta da primeira dama Michele Bolsonaro? O Brasil precisa dessa resposta, a democracia precisa dessa resposta.

Edição: Rodrigo Durão Coelho