Apesar do vergonhoso silêncio com que Francisco Maximiano, intermediário do negócio das vacinas Covaxin com o governo, “responde” às perguntas da CPI, seu “depoimento” à CPI da Covid, exatamente por suas negativas em explicar-se, está revelando uma teia de interesses que vai muito acima de “bagrinhos” picaretas como no caso da Davati.

Fernando Brito, do Tijolaço Net

É longa e extensa a relação de negócios entre ele e administração pública e várias inquirições, como a do senador Tasso Jereissati, mostraram que havia um processo de transferência de expressivos volumes de dinheiro entre ele e outros integrantes do grupo, provavelmente usado para fazer repasses a seus “benfeitores” dentro do serviço público.

Um dado é especialmente chocante: a presença do próprio General Eduardo Pazuello, então ministro, num regabofe de “comemoração” do contrato bilionário de compras, reunindo, além de Maximiano, Marcos Tolentino, dono de uma arapuca que se nomeia “Fib Bank”, num apartamento de luxo e Ricardo Barros.

Pazuello, recorde-se, era aquele que disse à CPI que não cabia ao ministro, “como decisor” sobre compras, reunir-se com empresários. Talvez devesse dizer que não poderia reunir-se, mas poderia festejar num regabofe um negócio de R$ 1,6 bilhão, com uma polpuda comissão para o intermediário da compra.

É preciso que se avance nas informações sobre este encontro, por mais que Maximiano queira evitar responder.

Mas, a partir de agora, CPI deveria abster-se tanto quanto possível de convocar malandros a “depor em silêncio” e avançar na documentação das transações que se armaram entre o grupo de picaretas, ainda que o contrato de compra tenha sido paralisado e, depois, anulado.

Assim como a Precisa, tem gente ali que gosta de pagamento adiantado.