É impensável que líderes evangélicos apregoem esse tipo de ação como “solução”. E que ainda façam isso em nome da fé

por Ariovaldo Ramos

Um grupo de pastores está convocando a igreja evangélica para pedir a intervenção militar no Brasil. Para isso, a desculpa é a de que o STF ultrapassou os seus limites. Esses pastores evangélicos entendem haver o direito de pedir que poderes da república sejam interditados por criticar a governo.

Tratam as forças armadas como se fosse um poder moderador da República, situação que já foi por demais esclarecida, deixando claro que no Brasil não há poder moderador. Isso porque desconsideram que é Democracia é um avanço civilizatório, que sempre dá para melhorar a partir do diálogo e de ações cívicas, sendo a principal o voto.

Assim, desconsideram, também, que a intervenção militar é um convite para retomada da lógica ditatorial, que custou sofrimento, tortura, assassinatos, enfim, muito derramamento de sangue em território nacional. Que a ditadura militar levou as forças militares a tratarem o cidadão como inimigo.

Dizem, quando questionados, que as Forças Armadas entrariam apenas para pôr ordem na casa, desse modo colocando STF no seu devido lugar. Não se dão conta de que os militares, em 1964, disseram que em dois anos teríamos eleições, Mas não só não tivemos eleições, como os que se candidataram acreditando nos militares, acabaram assassinados.

É impensável e inadmissível que líderes evangélicos apregoem a violência como solução, e, façam isso em nome da fé. Fé, esta, que tem como sua maior mensagem o amor demonstrado por Deus pela humanidade.

Estão sugerindo que no dia em que celebramos a independência, sejamos, de novo, tornados prisioneiros em nosso próprio país.

Que os evangélicos reconheçam esses pastores e pastoras como falsos profetas, que não os ouçam, e que sejam detidos na forma da lei. Essa é a minha oração!

Ariovaldo Ramos é coordenador da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e apresentador do programa Daqui pra Frente, toda quarta, às 21h, na TVT