Não é inteligente o rompimento entre o prefeito Rogério Cruz e o MDB.

Marcus Vinícius de Faria Felipe

O rompimento entre o prefeito Rogério Cruz e o MDB do ex-deputado federal Daniel Vilela já era até de certo modo esperado. A relação começou por onde não devia: um acordo entre um partido e uma igreja, quando deveria ter sido uma aliança entre partidos e políticos.

A mistura de religião com política não dá coisa boa. O governo (?) do presidente Jair Bolsonaro está aí para comprovar isto. No lugar de técnicos com experiência comprovada, o presidente colocou em cargos importantes para o país pessoas indicadas por denominações religiosas. O resultado é o que se vê: nada avança na gestão federal, que só conhece crise desde a posse do capitão.

No Rio de Janeiro do Bispo Crivela foi a mesma coisa. A mistura de religião com política fez a ex-capital federal retroceder ainda mais nas áreas de saúde, assistência social e se viu despreparada quando a pandemia do coronavírus aportou na baia da Guanabara.

Não é inteligente o rompimento entre o prefeito Rogério Cruz e o MDB.

O prefeito perde a oportunidade de contar com quadros valorosos do partido para fazer deslanchar este começo de administração, como o já demissionário José Luiz Bittencourt, ou outros quadros experimentados nas lides políticas e administrativas como o ex-presidente da Comurg, Aristóteles de Paula e a ex-presidenta da Amma, e ex-secretária de Finanças Zilma Peixoto.

Para além da análise dos nomes que deixam a administração, o prefeito Rogério Cruz talvez não tenha feito todo o cálculo político da movimentação que iniciou. Do ponto de vista político, seria até natural a substituição após um ano de administração. Não houve este tempo de maturação. A rapidez nas trocas é sim indicação de mudança de rumo. Tudo indica que o prefeito troca o MDB pelo respaldo do Palácio das Esmeraldas.

Se mantivesse a aliança com o MDB, Rogério Cruz poderia caminhar com o partido para a reeleição? Teria com  o MDB um mandato de oito anos? Talvez tenha sido esta a pergunta que o prefeito fez a si mesmo, e a partir da sua convicção tomou as atitudes que vem tomando.

Mas aos olhos do eleitor, a eleição de Rogério Cruz se deu em torno do projeto de governo apresentado durante a campanha por Maguito Vilela. Os secretários empossados em janeiro deste ano o foram em cima da escolha do prefeito eleito, e tendo como entendimento a aplicação do programa de governo eleito pela população. E aí vai outro questionamento: o  prefeito Rogério Cruz pretende romper com este programa também?  Neste contexto, o prefeito caminha numa linha tênue que separa atitude política de estelionato eleitoral, um passo em falso e esta linha rompe.

Quando o MDB fez aliança com o PT na eleição do prefeito Iris Rezende em 2008, foi indicado para vice o ex-deputado Paulo Garcia. Iris foi eleito no primeiro turno e em 2010 foi candidato ao governo do Estado com apoio do PT, que manteve na administração a maioria dos quadros indicados por Iris. Em 2012, Paulo Garcia também se reelege no primeiro turno, e os peemedebistas foram mantidos. O rompimento entre os dois partidos se deu somente em 2016, quando o clima político do Brasil mudou a correlação de forças e uma politica de ódio nas redes sociais motivada por setores extremistas derrubou a presidenta Dilma Roussef, e o final da história a gente sabe, deu nesta presidência tresloucada que está deixando como legado uma economia destruída e 310 mil mortos pela covid-19, 12 mil só em Goiás.

Não foi Paulo Garcia que rompeu com o PMDB.

Iris retornou ao Paço Municipal em janeiro de 2017, Paulo Garcia morreria sete meses depois, após ser duramente atacado e vilipendiado por muitos que antes participaram de seu governo. Paulo se foi mas seu legado ainda está vivo. Todos os projetos de infraestrutura executados na última gestão de Iris Rezende foram iniciados por Paulo Garcia, dentre eles o BRT, o Parque Macambira Anicuns, o financiamento para recapeamento de 630 km de ruas, prolongamento da Marginal Botafogo, viadutos da 136 e da Jamel Cecílio e outros.

Com o PT o MDB teve aliança e reciprocidade, porque são partidos que tem projetos políticos e militância. Com a Universal não há simetria, porque o projeto do Republicanos não é a política e sim a religião. E aí, como diz um amigo carioca, “deu merrrrda”.