A Polícia Federal brasileira tem monitorado a disseminação de fake news do deputado Federal Eduardo Bolsonaro com Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump e um dos principais nomes da extrema-direita global, em torno das eleições brasileiras.

As redes bolsonaristas têm adotado as mesmas estratégias empregadas por Trump na última eleição presidencial norte-americana, e a disputa no Brasil despertou grande interesse em Bannon – vale lembrar que os aliados do presidente Jair Bolsonaro estão alinhados ao estrategista.

Reportagem do jornal O Estado de S.Paulo ressalta a proximidade de Bannon e do empresário Mike Lindell com o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) que, inclusive, esteve nos EUA recentemente para participar de evento que propagou diversas teorias da conspiração em torno das eleições.

Apontado como principal interlocutor de Bannon no Brasil, Eduardo Bolsonaro falou por 40 minutos nesse evento, onde não só ignorou as eleições vencidas pelos políticos de sua família nos últimos anos, como manteve os questionamentos que levaram Jair Bolsonaro a ser alvo de investigações tanto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como do Supremo Tribunal Federal (STF).

Bannon manteve a linha de raciocínio de Eduardo Bolsonaro, afirmando que a eleição brasileira em 2022 “é a segunda mais importante no mundo e a mais importante da história da América do Sul

Investigação

Segundo o jornalista Diego Escosteguy, do site O Bastidor, as investigações da Polícia Federal sobre a denominada “organização criminosa digital” destinada, segundo ministros do Supremo e do TSE, a questionar ilegalmente a lisura das urnas eletrônicas chegaram ao deputado Eduardo Bolsonaro. O inquérito tramita no Supremo sob o comando de Alexandre de Moraes.

Reservadamente, os responsáveis pelas investigações já se convenceram de que o filho do presidente é um dos líderes do “núcleo político” do que qualificam como organização criminosa. O deputado, assim como seus irmãos Carlos e Flávio, havia sido citado na abertura do inquérito.

Eduardo Bolsonaro, segundo o trabalho sigiloso da PF, coordena a interlocução com Steve Bannon, ex-estrategista de Trump. Dissemina, de modo concertado com outros integrantes da organização, ataques digitais ilegítimos contra o Supremo e as urnas eletrônicas, a fim de desestabilizar as instituições democráticas e, consequentemente, beneficiar seu grupo político.

Os policiais querem autorização superior para adotar medidas mais invasivas, de modo a avançar na participação de Eduardo Bolsonaro nos fatos que avaliam configurar crimes. Os indícios também podem ser usados, por conexão, em outros inquéritos em curso no Supremo – sobretudo no inquérito 4.781, das denominadas fake news, também tocado por Moraes.

Com informações do Estadão, GGN e O Bastidor