Após ação da Polícia Federal contra garimpos ilegais nas Terras Indígenas Munduruku e Sai Cinza, no sudoeste do Pará, na quarta-feira (26), garimpeiros foram às ruas protestar e fecharam o município de Jacareacanga.

Nos últimos dias, a corporação intensificou o cerco contra a mineração na região.

Em motos, os garimpeiros seguiram até o território Munduruku e incendiaram a casa de Maria Leusa Munduruku, além de cortarem a energia e a internet do local. De acordo com o relato de moradores da região, os homens ameaçam subir o rio Kururu até a Aldeia Santa Cruz, para atacar Ademir Kaba, liderança local que luta contra a presença dos garimpos na região.


Casa de liderança indígena Maria Leusa Munduruku foi incendiada por garimpeiros ilegais nesta quarta-feira (26) em Jacareacanga, no Pará / Apib

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Outra manifestação foi marcada para a tarde desta quarta-feira. Dessa vez, no município de Itaituba, também no Pará. Na imagem usada para divulgar o ato, entre as informações aparece a sentença: “Garimpeiro não é bandido”. Em áudios que circulam nos celulares dos moradores da região, os garimpeiros explicam o protesto.

“Só hoje, eles já destruíram várias máquinas na região de mineração. Jacareacanga depende do garimpo para sobreviver, se deixarmos mais um dia, amanhã são mais 15 máquinas que eles vão queimar. Quero ver se sai umas dez mil, trinta mil pessoas. Índio ou não-índio, hoje nós somos um povo só, todo mundo é igual. Vamos todos para o aeroporto. Já temos o apoio do vice-prefeito, o Valmar”, explica o garimpeiro, fazendo referência a Valmar Kaba (Republicanos).

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“Temos que ir nos comércios amanhã e fechar a porta, todo mundo depende do garimpo. Fecha a porta e coloca todo mundo, todos os funcionários lá na praça. Está tendo operação hoje, ninguém está comprando”, explica outro garimpeiro.

No último dia 13 de maio, a Polícia Federal prendeu Gilson Spier, conhecido como Polaquinho, acusado de manter um esquema para extração ilegal de ouro na Terra Indígena Munduruku. Ele é filiado ao DEM de Jacareacanga desde 5 de outubro de 2011.

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A Operação Mundurukânia da Polícia Federal conta com o apoio do Ibama, Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Civil. A operação é consequência da decisão do ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que os organismo de segurança garantam o isolamento dos povos indígenas durante a pandemia.

Em Jacareacanga e Itaituba, os agentes da Polícia Federal investigam os crimes de exploração ilegal de matéria-prima pertencente à União, delito contra o meio ambiente e associação criminosa.

Edição: Vivian Virissimo