De acordo com reportagem da Folha, o deputado Eduardo Bolsonaro também é investigada pela Polícia Federal.

Avanço das investigações pode explicar decisão do presidente de trocar o comando da PF em plena pandemia do novo coronavírus (Reprodução)

O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República Jair Bolsonaro, é um dos articuladores de um esquema criminoso de fake news, aponta inquérito sigiloso conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e investigado pela Polícia Federal (PF). As informações sobre o andamento do caso foram divulgados pelo jornal Folha de São Paulo.

“Dentro da Polícia Federal, não há dúvidas de que Bolsonaro quis exonerar o ex-diretor da PF Maurício Valeixo, homem de confiança do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, porque tinha ciência de que a corporação havia chegado ao seu filho, chamado por ele de 02 e vereador do Rio de Janeiro pelo partido Republicanos”, destaca a reportagem.

Para Bolsonaro, a saída de Valeixo do comando da PF poderia abrir caminho para obter informações da investigação do Supremo ou inclusive trocar o grupo de delegados responsáveis pelo caso. Um deles é Igor Romário de Paula, que coordenou a Lava Jato em Curitiba quando Moro era o juiz da operação.

Valeixo foi superintendente da polícia no Paraná no mesmo período e indicado por Moro para comandar a PF.

Carlos é investigado sob a suspeita de ser um dos líderes de grupo que monta notícias falsas e age para intimidar e ameaçar autoridades públicas na internet. A PF também investiga a participação de seu irmão Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PSL de SP.

O vereador compartilhou o texto em uma rede social após a Folha publicar a reportagem.  “Esquema criminoso de… NOTÍCIAS FALSAS O nome em si já é uma piada completa! Corrupção, tráfico, lavagem, licitações? Não! E notaram que nunca falam que notícias seriam essas? É muito mais fácil apontar manipulação feita pela grande mídia. Matéria lixo!”.

O vereador continuou: “Não é necessário esquema de notícia pra falar o que penso sobre drácula, amante, botafogo, nervosinho, aproveitadores, sabotadores, ou sobre quem quer que seja! Há quem faça isso, e são aqueles que mais acusam. Sabemos quem é amiguinho dos jornalistas que direcionam ataques!”.

Alexandre de Moraes

Após as acusações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro contra o presidente Jair Bolsonaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu nessa sexta-feira (24) blindar os delegados do inquérito das fake news, impedindo que eles sejam trocados em meio à mudança de comando da Polícia Federal. Os mesmos delegados estão conduzindo as investigações dos atos antidemocráticos do último domingo (19) que pediam o fechamento do Congresso Nacional e do próprio STF. O presidente Jair Bolsonaro participou da manifestação em Brasília, quando atacou a “velha política” e avisou que não quer “negociar nada”.

“Comunique-se ao diretor executivo da Polícia Federal, em exercício, que, no âmbito da Polícia Federal, as investigações neste inquérito (que apura a autoria e o financiamento dos protestos antidemocráticos) deverão ser conduzidas pela equipe composta pelos delegados federais Igor Romário de Paula, Denisse Dias Rosas Ribeiro, Fábio Alceu Mertens e Daniel Daher, que já atuam no Inquérito 4.781 (inquérito das fake news)”, escreveu Moraes, ao impedir mudança na equipe que o auxilia nos trabalhos no STF.

O inquérito das fake news é um dos que preocupam o presidente. A investigação identificou empresários bolsonaristas que estariam financiando ataques contra ministros da Corte nas redes sociais.

Já o inquérito 4828, foi solicitado pelo procurador-geral, Augusto Aras, para mirar “fatos em tese delituosos envolvendo a organização de atos contra o regime da democracia participativa brasileira”. O objetivo é verificar se houve violação à Lei de Segurança Nacional nos protestos ocorridos no último domingo.

Para esta investigação, Alexandre decidiu que os mesmos delegados do inquérito das fake news devem conduzi-las. Esse inquérito não mira o presidente, que também participou dos atos, mas inclui deputados em seu polo de investigados.

O algoritmo do Supremo deixou a investigação dos atos com Moraes, mesmo relator do inquérito das fake news. “Como diria Maradona: a mão de Deus”, resumiu um ministro.